Onze das principais entidades representativas do setor financeiro, bancário, de meios de pagamento e do mercado de capitais divulgaram, nesta segunda-feira (5), uma nota conjunta em apoio aos processos de supervisão conduzidos pelo Banco Central (BC) e em defesa da independência da autoridade monetária.
O manifesto, assinado por federações e associações que representam 757 instituições financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas, expressa “plena confiança nas decisões técnicas do BC nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização”.
O posicionamento ocorre em um momento de atenção sobre as atribuições do BC, após o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, determinar uma inspeção técnica em documentos referentes ao banco Master em poder do Banco Central. A determinação será cumprida em breve, apesar do tribunal ainda estar em recesso.
Embora o texto não cite nominalmente o caso do banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo BC em novembro de 2025, a nota reforça a importância da autonomia do órgão. As entidades defendem que:
- É imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, mantendo um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro;
- O Banco Central brasileiro exerce seu papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.
Entre as entidades signatárias estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
O banco Master, antes de ser liquidado, já operava sob risco de falência devido ao alto custo de captação e à exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. Tentativas de venda da instituição, como uma proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram, sendo interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções em investigações.
Fonte: G1