O agronegócio brasileiro celebrou a aprovação, pela União Europeia (UE), do acordo comercial com o Mercosul, ocorrida nesta sexta-feira (9). O tratado, que deve ser assinado no próximo dia 17, dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) classificou o anúncio como “um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos”. A entidade destacou que o acordo reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, baseado em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva.
O Brasil, um dos maiores produtores globais de alimentos, é apontado como um dos grandes beneficiários. A UE é atualmente o segundo maior cliente do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) ressaltou a importância do avanço, após mais de duas décadas de negociações. O presidente da entidade, Tirso Meirelles, lembrou que o “tarifaço” imposto pelos EUA reforçou a necessidade de acordos bilaterais para ampliar o comércio internacional brasileiro.
Setores que já operam com tarifa zero na UE, como soja em grão e milho, também esperam ganhos. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmou que o acordo pode trazer maior previsibilidade, redução de custos e priorização dos produtos brasileiros, aumentando a competitividade.
Para o café, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, projetou um crescimento de até 35% nos próximos anos, especialmente para o café solúvel, que se tornará mais competitivo frente a concorrentes como o Vietnã. O acordo prevê a eliminação das tarifas para café solúvel, torrado e moído em um prazo de quatro anos.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que o acordo criará novas oportunidades para o Mercosul, ampliando os negócios. Ele mencionou que as cláusulas de salvaguarda, que permitem a suspensão temporária de benefícios tarifários se setores europeus forem prejudicados, são recíprocas e ainda podem ser debatidas.
Essas salvaguardas, aprovadas pelo parlamento europeu em dezembro, geraram preocupação no setor brasileiro. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) alertou que tais medidas podem limitar as exportações, o que seria contraditório em um acordo de livre comércio. No entanto, a entidade também reconheceu vantagens, como a criação de uma cota para exportação de carne bovina com tarifa reduzida.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, em conjunto, até 99 mil toneladas de carne bovina por ano para a UE, com uma tarifa inicial de 7,5%.
Fonte: G1 Agronegócios