A Enel está em negociações para apresentar uma solução definitiva para os recorrentes apagões na rede de distribuição de energia na região metropolitana de São Paulo. O anúncio foi feito pelo presidente-executivo do grupo, Flavio Cattaneo, durante a apresentação do novo plano estratégico da empresa.

Cattaneo destacou os desafios estruturais da rede elétrica aérea na capital paulista, atribuindo grande parte dos problemas à queda de árvores durante tempestades, que danificam os cabos e dificultam o restabelecimento rápido do fornecimento. “Os cabos estão dentro das árvores, não perto ou ao lado. Em caso de tempestade, é impossível impedir a interrupção do serviço”, afirmou o executivo.

A situação ganhou contornos críticos no final de 2024, quando a Enel levou dias para normalizar o fornecimento após eventos climáticos extremos. O grande apagão de dezembro do ano passado afetou 4,4 milhões de consumidores e ampliou o escrutínio público e regulatório sobre a empresa.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) discute atualmente a eventual caducidade do contrato da Enel em São Paulo. O processo, iniciado em novembro de 2025, foi suspenso temporariamente a pedido do diretor Gentil Nogueira, que solicitou mais 60 dias para análise. A direção-geral da agência, no entanto, pressiona por uma deliberação “em caráter de urgência”.

Enquanto isso, a Enel busca renovar suas concessões no Ceará e no Rio de Janeiro — onde as negociações estariam praticamente concluídas — e defende-se com pareceres jurídicos que consideram ilegal incluir o apagão de dezembro na análise de caducidade.

Paralelamente, o grupo anunciou um ambicioso plano de investimentos de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com foco em energias renováveis na Europa e EUA. Para a América Latina, incluindo o Brasil, estão previstos 6,2 bilhões de euros, condicionados a “um ambiente regulatório previsível”.