Em resposta à ameaça de encerramento de contrato pelo Ministério de Minas e Energia, a Enel divulgou um comunicado defendendo sua atuação como distribuidora na região metropolitana de São Paulo. A empresa afirmou cumprir todos os indicadores regulatórios e se disse disposta a investir no enterramento da rede elétrica, medida que poderia evitar apagões futuros causados por quedas de árvores.
A concessionária, no entanto, ressaltou que um projeto dessa magnitude depende de um “investimento compartilhado com todas as instituições envolvidas”, incluindo órgãos governamentais, para se tornar viável.
O posicionamento ocorre um dia após o ministro Alexandre Silveira anunciar o início do processo para rescindir o contrato com a Enel em São Paulo. A empresa argumenta que vem melhorando a qualidade do serviço desde que assumiu a concessão, em 2018.
A reação da Enel segue a declaração da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que afirmou que as falhas recentes na distribuição serão analisadas em um processo já em curso. Este processo, aberto após falhas que afetaram 3 milhões de clientes em outubro de 2024, pode resultar numa recomendação de caducidade do contrato.
Para evitar esse desfecho, a Enel destacou os investimentos de mais de R$ 10 bilhões realizados entre 2018 e 2024 e um plano recorde de R$ 10,4 bilhões para o período de 2025 a 2027. A empresa também informou ter reforçado sua operação em 2024 com a contratação de aproximadamente 1.600 novos profissionais.
Sobre o apagão de 10 de dezembro, que deixou alguns clientes até seis dias sem energia, a concessionária listou uma série de ações e desafios enfrentados:
- Mobilização de até 1.800 equipes, superando o plano de contingência.
- Dificuldades causadas por rajadas de vento constantes, que danificaram a rede repetidamente.
- Queda de centenas de árvores, com 145 caídas diretamente sobre a rede apenas na capital.
- Realização de mais de 630 mil podas em 2024 e 2025 na área de concessão, o dobro em relação a anos anteriores.
A nota foi finalizada com a empresa reafirmando sua “confiança no sistema jurídico e regulatório brasileiro” para a segurança dos investimentos de longo prazo.