O governo brasileiro confirmou que o próximo encontro presencial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para março, terá como eixos centrais três temas de interesse bilateral e regional: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros afetados por tarifas e a situação na América Latina, com especial atenção à Venezuela.

Segundo fontes da diplomacia brasileira, a reunião servirá para organizar e reforçar a relação entre os dois países. Os mesmos assuntos foram abordados na última conversa telefônica entre os mandatários, realizada na segunda-feira (26), que durou quase uma hora.

Cooperação no combate ao crime organizado

Na conversa recente, Lula reiterou uma proposta enviada ao Departamento de Estado em dezembro para fortalecer a cooperação bilateral contra o crime organizado. O plano inclui ampliar a parceria em áreas como repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados financeiros. A iniciativa foi bem recebida pela administração Trump.

O Palácio do Planalto avalia que o tema da segurança pública será central nas eleições brasileiras de 2026 e que manter proximidade com os EUA pode ajudar a neutralizar eventuais tentativas de influência da extrema-direita global no pleito.

Agenda tarifária e comitiva técnica

As negociações sobre o “tarifaço” — as tarifas aplicadas a produtos brasileiros — continuarão em pauta. A expectativa é que representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, da Justiça e Segurança Pública, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal, integrem a comitiva brasileira que viajará a Washington para o encontro.

Venezuela em destaque

A situação na América Latina, e particularmente na Venezuela, ganhou urgência após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas em 3 de janeiro. Lula e Trump discutiram o caso no telefonema. O presidente brasileiro condenou a ação militar, considerando que “ultrapassou os limites do aceitável” nas relações entre países, e defendeu a preservação da paz e o bem-estar da população venezuelana.

Com a destituição de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a liderança do país, em uma crise com forte repercussão internacional.