A visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, que estava inicialmente prevista para março, deve ser adiada para abril. O encontro com o presidente norte-americano Donald Trump foi impactado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e pelas dificuldades em alinhar as prioridades da pauta bilateral.
Fontes do Planalto e da diplomacia brasileira indicam que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada recentemente, é um fator determinante para o adiamento. Além do contexto geopolítico, persistem divergências substantivas na definição da agenda do encontro.
Os Estados Unidos demonstram forte interesse em estruturar um plano de cooperação para a exploração de minerais críticos no Brasil, área considerada estratégica para Washington. Diplomatas norte-americanos afirmam ser prioridade definir parâmetros, salvaguardas e projetos com potencial de financiamento antes da reunião presidencial.
Do lado brasileiro, o foco principal recai sobre o avanço na agenda de segurança e no combate ao crime organizado, tema também considerado prioritário no contexto eleitoral interno. Esta diferença de prioridades tem prolongado as negociações preparatórias.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que não faz sentido realizar a viagem sem a concretização de algum tipo de acordo preliminar, especialmente no capítulo dos minerais. Para destravar as negociações, está marcado para 18 de março, em São Paulo, um fórum sobre minerais críticos organizado pela Embaixada dos EUA em parceria com o setor privado. O evento visa apresentar projetos brasileiros e discutir mecanismos de financiamento.
O adiamento ocorre mesmo após demonstrações públicas de interesse de ambos os lados. Trump reafirmou na última semana seu desejo de receber Lula na Casa Branca. Em novembro, os dois presidentes já haviam costurado um acordo que resultou na retirada de tarifas de 40% sobre diversos produtos brasileiros.