A entrada do Brasil no Conselho da Paz, iniciativa do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para a Faixa de Gaza, recebeu apoio público do embaixador da Autoridade Nacional Palestina em Brasília, Marwan Jebril. Em declarações à GloboNews, o diplomata afirmou que a presença brasileira seria vista com bons olhos pelos palestinos.
O governo brasileiro, convidado pelos EUA para integrar o comitê, ainda não se pronunciou oficialmente sobre sua participação no colegiado, lançado em janeiro de 2026.
“A decisão quem toma é o Brasil, se vai fazer parte ou não. Mas nós, sim, vemos com bons olhos que haja países amigos [presentes]. Não esqueçamos que Israel também está dentro deste conselho”, declarou Jebril.
O embaixador destacou a importância da presença de nações aliadas, como Egito, Arábia Saudita, Catar, Turquia e Indonésia, que geram confiança na transitoriedade do conselho. Segundo ele, há coordenação para que o comitê tenha duração máxima de dois anos, após os quais as competências sobre Gaza seriam transferidas ao governo palestino.
No mesmo dia do lançamento do conselho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contato telefônico com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. De acordo com o Itamaraty, ambos discutiram o plano de paz em curso e concordaram em manter diálogo sobre o tema.
Jebril detalhou as condições apresentadas pelos palestinos para apoiar a iniciativa: “O que pedimos ao nosso amigo Lula são estes termos: que não haja anexação por parte de Israel de território palestino, que não haja separação política entre Gaza e a Cisjordânia e que haja uma solução política. As soluções militares ou impostas por terceiros não funcionam”.
O diplomata expressou preocupação com possíveis tentativas de substituir a Organização das Nações Unidas (ONU): “Trump está falando de substituir as Nações Unidas, que é uma organização que existe há mais de 80 anos. Isso é um perigo. É preciso respeitar e aplicar as regras das Nações Unidas e do direito internacional”.
Esta preocupação ecoa avaliações dentro do governo brasileiro, onde assessores presidenciais alertam que o grupo não pode se tornar uma entidade permanente que substitua a ONU — risco que, segundo analistas, não está completamente afastado.