O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu publicamente a posição do governo brasileiro, que condenou a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o seu país. Durante uma coletiva de imprensa realizada na embaixada em Brasília, Nekounam classificou a postura brasileira como “valorosa”.

“Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão”, afirmou o embaixador, cuja declaração foi originalmente feita em persa e traduzida para o português. “Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos”, emendou.

O governo brasileiro havia emitido uma nota na noite de sábado (28) expressando solidariedade aos países impactados pelos ataques retaliatórios do Irã e pedindo a interrupção imediata das ações militares na região do Golfo. A nota do Itamaraty alertou que a escalada do conflito representa uma “grave ameaça à paz”.

Diálogo bilateral e situação de brasileiros

Nekounam afirmou que o diálogo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil segue de forma natural e destacou que as conversas entre os dois países “não têm nada a ver com os EUA”.

Sobre a situação dos brasileiros no Irã durante os ataques, o embaixador mencionou acreditar que não houve vítimas da nacionalidade, mas que a embaixada iraniana faria sua própria avaliação. Conforme informações da Embaixada do Brasil no Irã, seis brasileiros que integravam uma equipe de futebol em Teerã receberam suporte para deixar o país pela fronteira com a Turquia e já se encontram em Istambul. A missão diplomática também auxiliou uma brasileira que aguardava visto para o marido, que foi concedido, permitindo a saída do casal.

Críticas aos EUA e contexto do conflito

O embaixador iraniano foi contundente em suas críticas aos Estados Unidos. Ele classificou o ataque norte-americano a uma escola iraniana, que teria causado a morte de 170 alunas, como “criminoso”. Nekounam também questionou as intenções dos EUA, afirmando acreditar que o país não busca um acordo nuclear, mas sim uma mudança de governo no Irã.

“Estamos no meio de uma guerra. Os EUA e o regime sionista começaram um ataque usando as negociações. Essa ação resultou no assassinato do líder supremo da República Islâmica do Irã. Nós vamos definir as consequências no campo de batalha”, declarou, referindo-se à morte confirmada do aiatolá Ali Khamenei horas após os bombardeios iniciais.

O embaixador reforçou que o interesse do Irã não é a guerra, mas que o país respondeu após ser atacado. Ele afirmou que o Irã está pronto para as piores situações e possui equipamentos militares de alta qualidade.

Impactos regionais e desdobramentos

Sobre os impactos econômicos do conflito, Nekounam afirmou que ainda precisam ser avaliados. Ele também negou qualquer desentendimento com países vizinhos, esclarecendo que as ações iranianas são direcionadas apenas contra bases militares dos EUA e de Israel, e não contra os territórios desses países.

Quanto ao fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, o embaixador disse que essa consequência já havia sido alertada pelo líder iraniano. “Se atacar vai acontecer uma guerra regional. Infelizmente eles começaram os ataques”, justificou.

O conflito, iniciado com uma ofensiva aérea dos EUA e de Israel no último sábado (28), já resultou em centenas de mortos no Irã, incluindo altas autoridades militares, e levou a uma série de ataques retaliatórios com mísseis e drones por parte do Irã.