A economia da Zona do Euro registrou um crescimento de 0,3% no último trimestre de 2025, mantendo o ritmo do período anterior e superando os temores de recessão que pairaram no início do ano. Contudo, um novo desafio surge no horizonte: a valorização do euro frente ao dólar, que pode comprometer a competitividade das exportações europeias.
De acordo com dados da Eurostat divulgados em 30 de janeiro, o crescimento anualizado no quarto trimestre foi de 1,3% em comparação com o mesmo período de 2024. Este desempenho moderado ocorreu apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos, que resultaram na imposição de um teto de 15% para as tarifas americanas sobre produtos da UE.
A relativa estabilidade proporcionada por esse acordo foi, no entanto, abalada por novas ameaças tarifárias do presidente norte-americano Donald Trump em janeiro, relacionadas ao apoio europeu à Groenlândia, embora ele tenha posteriormente recuado.
Internamente, a economia europeia foi impulsionada pelo setor de serviços, que apresentou crescimento moderado, e por uma inflação em queda, que chegou a 1,9% em dezembro. A combinação de preços mais baixos e salários em alta aumentou o poder de compra e a disposição para consumo das famílias.
O grande obstáculo atual é a desvalorização do dólar, que atingiu seu nível mais fraco em quatro anos e meio frente ao euro. A moeda única europeia valorizou-se 14,4% nos últimos 12 meses, sendo cotada a US$ 1,19. Analistas apontam que, se esta tendência persistir, o Banco Central Europeu (BCE) poderá ser forçado a cortar as taxas de juros ainda em 2026 para estimular a atividade econômica.
Entre as principais economias do bloco, a Alemanha apresentou melhora, com crescimento de 0,3% no trimestre – seu melhor desempenho em três anos. No entanto, o país ainda enfrenta sérios desafios estruturais, como os altos preços da energia, escassez de mão de obra qualificada, concorrência chinesa e anos de subinvestimento em infraestrutura. O governo alemão revisou sua projeção de crescimento para 2026, de 1,3% para 1%.
No conjunto da União Europeia, composta por 27 países, o crescimento também foi de 0,3% no trimestre e de 1,4% no ano. O euro ganhou seu 21º membro em janeiro, com a adesão da Bulgária à moeda comum.