O dólar operava em queda nesta segunda-feira (9), enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também recuava. A escalada do conflito no Oriente Médio, que entrou na segunda semana, continua a ser o principal fator de tensão nos mercados globais, impulsionando uma disparada histórica nos preços do petróleo.

Cotações e Índices

Por volta das 11h55, o dólar comercial recuava 0,54%, cotado a R$ 5,2143. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,27%, aos 178.880 pontos.

  • Dólar: Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%.
  • Ibovespa: Acumulado da semana: -4,41%; Acumulado do mês: -4,41%; Acumulado do ano: +12%.

Petróleo em Alta Histórica

Os preços do petróleo dispararam, com o barril chegando a superar a marca de US$ 110. Contratos futuros mais líquidos operavam acima de US$ 100, um salto expressivo em relação às cotações próximas de US$ 70 há duas semanas.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o petróleo Brent do Mar do Norte, referência global, avançava 12,04%, negociado a US$ 103,85 por barril. O petróleo WTI, referência nos EUA, subia 12,59%, para US$ 102,34.

A alta é impulsionada por:

  • Redução da produção: Países como Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos reduziram a produção diante do conflito.
  • Fechamento do Estreito de Ormuz: A interrupção do tráfego nesta rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo, desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
  • Ataques a campos: Ataques contra campos de petróleo no sul do Iraque e na região curda no norte do país.

Diante da escalada, países do G7 estudam liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo de forma coordenada para tentar conter a alta.

Impactos e Reações Globais

A crise energética eleva o temor de que a alta do petróleo pressione a inflação global e afete a recuperação econômica. O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou o aumento, afirmando ser “um preço muito pequeno a pagar” pela segurança.

Analistas, no entanto, alertam para as consequências. “O conflito começa a atingir diretamente estruturas ligadas à produção de petróleo. E com isso você vai diminuir cada vez mais a oferta e o preço tende a subir”, afirma Alison Correia, da Dom Investimentos.

Agenda Econômica e Boletim Focus

O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda, mostrou que economistas mantiveram a estimativa de inflação para 2026 em 3,91%. A projeção para a taxa básica de juros (Selic) no fim de 2026 subiu levemente, de 12% para 12,13% ao ano.

Para o crescimento do PIB em 2026, a expectativa do mercado se manteve em 1,82%.

Mercados Globais Sob Pressão

As bolsas ao redor do mundo operavam no vermelho, refletindo o nervosismo:

  • Wall Street (futuros): Dow Jones (-1,18%), S&P 500 (-1,05%), Nasdaq (-1,13%).
  • Europa: STOXX 600 (-1,62%), DAX Alemanha (-1,71%), FTSE 100 Reino Unido (-1,23%), CAC 40 França (-1,98%).
  • Ásia (fechamento): Nikkei Japão (-5,2%), KOSPI Coreia do Sul (-5,96%), Hang Seng Hong Kong (-1,35%).

O cenário geopolítico permanece como o principal driver de volatilidade, com os investidores atentos a qualquer novo desdobramento no conflito do Oriente Médio e seus reflexos na economia global.