Dólar em queda: como Trump, Fed e cenário brasileiro afetaram o câmbio em 2025
O ano de 2025 foi marcado por uma forte desvalorização do dólar a nível global. No Brasil, a moeda norte-americana recuou 10,29% frente ao real no acumulado até o penúltimo pregão do ano, registrando a maior queda em quase uma década. Este movimento não se limitou ao real; moedas de outras economias emergentes e avançadas, como o euro, o franco suíço, o iene japonês e a libra esterlina, também se valorizaram perante o dólar.
Por que o dólar enfraqueceu? A influência das políticas de Trump
Analistas apontam que a desvalorização global do dólar reflete, em grande parte, as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após a eleição, o mercado esperava uma agenda protecionista imediata, o que não se concretizou inicialmente. Esta cautela, seguida pelo anúncio de tarifas de importação em abril, gerou incertezas que prejudicaram a moeda. “Trump começou o ano com mais cautela, promovendo mudanças graduais até o choque tarifário de abril. Isso acabou prejudicando a moeda norte-americana”, afirmou Leonel Mattos, analista da StoneX, ao g1. A incerteza levou investidores a reverem posições e aumentarem operações de hedge cambial, aprofundando a pressão de venda sobre o dólar.
O papel do Federal Reserve (Fed) e dos juros americanos
A expectativa e a concretização de cortes na taxa de juros dos EUA foram centrais em 2025. O Fed iniciou o ciclo de afrouxamento monetário apenas em setembro, com um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo posteriormente a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. “Tivemos muita incerteza em relação às políticas do Executivo, além de uma pressão econômica vinda principalmente do mercado de trabalho”, explicou Bruno Shahini, especialista da Nomad. Juros mais baixos nos EUA diminuem o atrativo dos títulos do Tesouro americano, levando capital para mercados emergentes em busca de melhor rentabilidade.
Fatores internos: por que o real se valorizou?
No Brasil, a valorização do real foi impulsionada por fatores domésticos. A taxa básica de juros (Selic) permanece em patamar historicamente elevado, oferecendo um dos maiores retornos reais do mundo e atraindo investidores estrangeiros. Além disso, o compromisso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com a meta de inflação gerou credibilidade. “O Galípolo está seguindo bem as metas de inflação e está até sendo mais duro do que o mercado imaginava”, disse Marcos Weigt, do Banco Travelex. A percepção sobre as contas públicas também se estabilizou em relação a 2024, conforme indicado pelo Prisma Fiscal, contribuindo para um ambiente de menor risco.
Perspectivas para 2026: o que esperar do câmbio?
Analistas projetam que fatores internos e externos continuarão a influenciar o câmbio no próximo ano. Internacionalmente, permanecem incertezas sobre o ritmo da economia americana, os futuros cortes de juros pelo Fed e a nomeação de um novo presidente para o banco central em maio de 2026. No Brasil, o foco dos investidores deve migrar para o cenário eleitoral e a discussão fiscal. “O mercado está ignorando a situação fiscal por enquanto, mas no ano que vem isso deve pesar mais”, alerta Shahini. A partir de abril, a eleição presidencial e as expectativas de gastos públicos devem ditar o tom para o dólar e o real.
Fonte: g1.globo.com