O mercado financeiro iniciou 2026 com movimentos opostos às fortes altas registradas no ano anterior. O dólar comercial encerrou o primeiro pregão do ano em nítida queda, enquanto o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, também fechou no vermelho, refletindo um dia de negociações com volume reduzido devido à emenda do feriado.
A moeda norte-americana recuou 1,18% nesta quinta-feira (2), sendo negociada a R$ 5,4238 na venda. O movimento mantém a tendência de desvalorização vista nos últimos dias de 2025, ano em que o dólar acumulou uma desvalorização superior a 10%, seu pior desempenho anual em quase uma década.
Por sua vez, o Ibovespa fechou o dia com perdas, após um ano excepcional de 2025, quando acumulou uma valorização de mais de 33%, o maior ganho anual desde 2016.
Fatores influenciando o mercado
O pregão foi marcado pela repercussão de medidas internacionais e pela expectativa em torno de decisões econômicas futuras:
- China e Carne Bovina: A China iniciou, em 1º de janeiro, a aplicação de tarifas de importação sobre a carne bovina para proteger seus produtores locais. O Brasil, maior fornecedor global do produto para o país asiático, será diretamente impactado. A cota total de importação para 2026 foi fixada em 2,7 milhões de toneladas, com taxa de 12%. Volumes que excederem esse limite estarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%.
- Meta de Crescimento Chinesa: Em contrapartida, a China reafirmou a meta de crescer 5% em 2025. Esta ambição, que demanda grandes investimentos em infraestrutura e indústria, sustenta a expectativa de demanda firme por matérias-primas, como o minério de ferro, o que beneficia empresas brasileiras do setor e oferece suporte ao Ibovespa.
- Agenda dos EUA: Os investidores aguardam a divulgação do próximo relatório de emprego (payroll) nos Estados Unidos, previsto para sexta-feira. A força do mercado de trabalho americano é um fator-chave para as decisões do Federal Reserve (Fed) sobre cortes na taxa de juros, com o mercado projetando dois cortes para 2026. A escolha do próximo presidente do Fed, cujo mandato de Jerome Powell termina em maio, também está no radar.
- Cenário Doméstico: No Brasil, a situação das contas públicas, com avanço do déficit e da dívida, continua a pressionar os juros e limitar o apetite por ativos de risco.
Panorama das bolsas globais e commodities
Globalmente, o primeiro dia do ano foi de alta para a maioria dos mercados, ainda que com volume de negócios abaixo do normal devido a feriados prolongados em países como Japão e China.
- Estados Unidos: Os índices futuros de Wall Street avançaram, mantendo a sequência de três anos consecutivos de ganhos, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia e inteligência artificial.
- Europa: O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,7%, ficando próximo da marca simbólica de 600 pontos, impulsionado pela queda das taxas de juros e por estímulos fiscais na Alemanha.
- Ásia: O destaque foi o mercado de Hong Kong, onde o índice Hang Seng atingiu o maior patamar em cerca de um mês e meio, impulsionado pelo otimismo renovado com o setor de inteligência artificial na China.
No mercado de commodities, o ouro seguiu sua trajetória de alta, subindo mais de 1% e consolidando seu papel de porto seguro diante da fraqueza do dólar e das tensões geopolíticas. O petróleo, por outro lado, iniciou o ano tentando se recuperar após registrar em 2025 sua maior queda anual desde 2020.
Resumo dos Principais Indicadores
Dólar (R$)
Acumulado da semana: -2,16%
Acumulado do mês: +1,18%
Acumulado do ano: -1,18%
Ibovespa (pontos)
Acumulado da semana: +0,14%
Acumulado do mês: +1,29%
Acumulado do ano: +33,95%
Fonte: Dados compilados a partir de informações do mercado e da reportagem original do G1.