O último pregão de 2025 foi marcado por um ritmo mais lento, típico do fim de ano, mas consolidou tendências importantes para o mercado financeiro. O dólar comercial fechou em forte queda de 1,47% nesta terça-feira (30), cotado a R$ 5,4887, rompendo a barreira psicológica dos R$ 5,50. Com isso, a moeda norte-americana acumula uma desvalorização de 11,18% em 2025, seu pior desempenho anual em quase uma década.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, operou em alta na sessão e deve encerrar o ano com uma valorização superior a 33%, o maior ganho anual desde 2016. Este desempenho ocorre mesmo com os juros brasileiros no nível mais alto dos últimos 20 anos.

O que explica a queda histórica do dólar?

A trajetória de baixa do dólar ao longo de 2025 reflete principalmente as apostas do mercado em novos cortes da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A expectativa de juros mais baixos nos EUA reduz o atrativo de investimentos em ativos denominados em dólar, pressionando a cotação da moeda.

Além disso, preocupações com o elevado déficit das contas públicas americanas e incertezas sobre a condução da economia pelo presidente Donald Trump também contribuíram para o enfraquecimento da divisa.

Os motivos por trás da alta expressiva do Ibovespa

O forte desempenho da bolsa brasileira em 2025 está associado a vários fatores:

  • Expectativa de cortes de juros tanto nos EUA quanto no Brasil, o que beneficia os ativos de risco.
  • Realocação de investimentos globais em favor de ativos brasileiros, vistos com maior potencial.
  • Maior resiliência percebida do Brasil nas tensões comerciais com os EUA.
  • Avaliação de que as ações brasileiras ainda eram negociadas abaixo dos níveis pré-pandemia, oferecendo oportunidade.

Foco nos EUA: Ata do Fed e críticas de Trump

Nesta terça-feira, os investidores analisaram a ata da última reunião do Fed. O documento revelou que os dirigentes do banco central só concordaram com o corte de juros após um debate minucioso sobre os riscos à economia. A maioria apoiou a redução para ajudar a “estabilizar o mercado de trabalho”, mas muitos ainda expressaram preocupação com a inflação, que segue acima da meta de 2%.

As projeções indicam que o mercado espera apenas mais um corte em 2026, enquanto o Fed sinaliza que deve aguardar novos dados sobre inflação e desemprego antes de novos movimentos.

No cenário político, chamaram atenção as críticas do presidente Donald Trump ao chairman do Fed, Jerome Powell, a quem classificou como “extremamente incompetente”. O mercado também repercutiu um novo acordo comercial entre EUA e Israel.

Destaques da economia brasileira

No Brasil, os dados do mercado de trabalho foram positivos. O IBGE mostrou que a taxa de desemprego caiu para 5,2% em novembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com recordes no número de ocupados e de trabalhadores com carteira assinada.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de novembro, divulgado pelo Ministério do Trabalho, registrou a criação de 85,9 mil empregos formais, um recuo de 19,1% em relação a novembro de 2024.

Por outro lado, as contas públicas seguem como ponto de atenção. O governo central registrou um déficit primário de R$ 20,2 bilhões em novembro, valor acima das expectativas do mercado.

Resumo dos principais acumulados

Dólar:
Acumulado da semana: -0,99%
Acumulado do mês: +2,88%
Acumulado do ano: -11,18%

Ibovespa:
Acumulado da semana: +1,53%
Acumulado do mês: +1,15%
Acumulado do ano: +33,76%

Cenário das bolsas globais

Estados Unidos: As bolsas operaram perto da estabilidade após duas quedas seguidas, com pressão no setor de tecnologia (Nvidia, Palantir) devido a preocupações com excesso de investimentos em IA.

Europa: As bolsas operam perto de máximas históricas. O índice STOXX 600 caminha para o melhor desempenho anual desde 2021, impulsionado por juros baixos e estímulos fiscais.

Ásia: Desempenho misto. A China interrompeu uma sequência de nove altas, com lucros sendo realizados. Hong Kong foi positiva, impulsionada pela tecnologia. O Japão fechou em queda, pressionado por perdas em empresas de tecnologia.

Fonte: G1. Leia a reportagem original aqui.