O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira (27) em forte queda, atingindo o menor patamar em oito meses. A moeda norte-americana recuou 1,41%, sendo cotada a R$ 5,2056. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, avançou 1,79% e fechou em um novo recorde histórico, aos 181.919 pontos.
O cenário foi influenciado pela divulgação da prévia da inflação de janeiro (IPCA-15), que registrou alta de 0,20%, ficando ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que eram de 0,22%. Este dado foi o principal destaque nacional do dia, antecedendo a chamada “Superquarta”, quando tanto o Banco Central do Brasil (Copom) quanto o Federal Reserve (Fed) dos EUA anunciarão suas decisões sobre as taxas de juros. A expectativa geral é de manutenção das taxas atuais por ambas as instituições.
No cenário internacional, os investidores monitoram com atenção as tensões políticas nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump sinalizou a indicação de um novo nome para presidir o Fed, gerando receios sobre a possível perda de independência do banco central americano. Além disso, o risco de um “shutdown” (paralisação) do governo americano voltou ao radar devido a um impasse orçamentário no Congresso.
Em contrapartida, um acordo comercial histórico entre a União Europeia e a Índia, após 20 anos de negociação, trouxe otimismo ao criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas.
Desempenho dos Mercados
- Dólar: Acumula queda de 1,41% na semana e 5,16% no mês/ano.
- Ibovespa: Acumula alta de 1,71% na semana e 12,91% no mês/ano.
Detalhes da Inflação (IPCA-15)
O índice de prévia da inflação oficial subiu 0,20% em janeiro. Os principais aumentos vieram dos grupos Saúde e Cuidados Pessoais e Comunicação. A alimentação também registrou alta, puxada por itens como tomate, batata e carnes. Em contrapartida, o grupo Transportes apresentou queda, influenciado principalmente pela redução no preço das passagens aéreas.
Expectativas para os Juros
O mercado projeta que o Copom manterá a taxa Selic em 15% ao ano nesta reunião, mas espera o início de um ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026. O Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras, estima que a Selic termine 2026 em 12,25% ao ano.
Cenário Internacional e Bolsas Globais
As tensões geopolíticas permanecem, com os EUA elevando tarifas para produtos da Coreia do Sul e a China anunciando maior cooperação com a Rússia. Em Wall Street, os índices fecharam sem direção única, com o S&P 500 subindo 0,42% e o Dow Jones caindo 0,83%. As bolsas europeias e asiáticas fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas por notícias corporativas positivas e pelo bom desempenho recente do mercado americano.