O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira (6) em queda de 0,48%, cotado a R$ 5,3794, marcando a quarta queda consecutiva e fechando abaixo da barreira psicológica de R$ 5,40. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrou alta de 1,11%, aos 163.664 pontos.

Os mercados financeiros seguem atentos às tensões geopolíticas na Venezuela e à divulgação de indicadores econômicos e discursos de autoridades no Brasil e nos Estados Unidos, fatores que moldam as projeções para a economia global em 2026.

Contexto Geopolítico: A Crise Venezuelana e o Petróleo

A prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças dos EUA no fim de semana, trouxe forte volatilidade aos mercados na segunda-feira (5) e continua a influenciar o humor dos investidores. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a Venezuela não deve realizar eleições nos próximos 30 dias e sugeriu que o governo americano pode subsidiar empresas de energia dos EUA para reconstruir a combalida indústria petrolífera venezuelana.

Trump declarou que os EUA “controlariam” o petróleo venezuelano e enviariam petrolíferas americanas ao país para reparar a infraestrutura. Esta movimentação alimenta especulações de que o petróleo venezuelano, cuja produção despencou nas últimas décadas, possa voltar a circular no mercado internacional, aumentando a oferta global da commodity.

Segundo informações da agência Reuters, autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já discutem a exportação de petróleo bruto venezuelano para refinarias norte-americanas, redirecionando embarques que antes seguiam para a China.

Panorama Econômico no Brasil

No cenário doméstico, os dados da balança comercial de 2025 chamaram a atenção. O superávit comercial foi de US$ 68,3 bilhões, o pior resultado em três anos, representando uma queda de 7,9% em relação a 2024. Sob o impacto das tarifas impostas pelos EUA, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 6,6%, caindo de US$ 40,37 bilhões para US$ 37,72 bilhões.

Cenário Internacional e Mercados Globais

No exterior, os investidores também monitoram indicadores de atividade, como o PMI de dezembro dos EUA, e discursos de autoridades do Federal Reserve, como o de Tom Barkin, presidente do Fed de Richmond, que podem dar pistas sobre o futuro dos juros americanos.

Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta, com investidores aparentemente minimizando temores de um impacto geopolítico mais amplo. O S&P 500 subiu 0,62%, o Nasdaq avançou 0,61% e o Dow Jones ganhou 1,02%, aproximando-se da marca histórica de 50 mil pontos. As ações do setor de petróleo recuaram após fortes ganhos no dia anterior, enquanto papéis de tecnologia, especialmente de semicondutores ligados à inteligência artificial, tiveram desempenho robusto.

As bolsas europeias também renovaram máximas, com o índice pan-europeu Stoxx 600 subindo 0,63%. Na Ásia, os mercados fecharam positivamente, impulsionados por ações chinesas que atingiram os maiores patamares em mais de uma década.

Performance Acumulada

  • Dólar: Acumula queda de 0,82% na semana e de 1,99% no mês e no ano.
  • Ibovespa: Acumula alta de 0,83% na semana e de 0,46% no mês e no ano.

Fonte: G1 – https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/06/dolar-ibovespa.ghtml