O dólar registrou sua quarta queda consecutiva nesta segunda-feira (26), fechando o dia cotado a R$ 5,2798, com um recuo de 0,13%. Este é o menor patamar da moeda norte-americana em dois meses. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, interrompeu uma sequência de cinco altas seguidas e encerrou a sessão com uma leve queda de 0,08%, aos 178.721 pontos.

Os mercados financeiros globais operam em um ambiente de cautela, com os investidores dividindo a atenção entre a agenda econômica decisiva da semana e o aumento das tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos.

Superquarta: O centro das atenções da economia

O grande destaque da semana é a chamada Superquarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciarão suas decisões sobre as taxas de juros. A expectativa geral do mercado é de manutenção dos patamares atuais:

  • EUA: Taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
  • Brasil: Taxa Selic em 15% ao ano.

Além disso, nos Estados Unidos, cresce a expectativa em torno da escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed). Rumores indicam que o presidente Donald Trump pode anunciar o sucessor de Jerome Powell ainda nesta semana, o que gera receios sobre a autonomia da instituição frente a pressões políticas por cortes de juros.

Tensões geopolíticas no radar do mercado

Fora da esfera econômica, declarações e ações do governo norte-americano têm adicionado uma camada de incerteza aos mercados:

  • Ameaças Tarifárias ao Canadá: O presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% sobre todos os produtos canadenses caso o país avance em um acordo comercial com a China. Em resposta, o governo chinês afirmou que seus acordos com o Canadá “não têm como alvo nenhum terceiro país”.
  • Nova Estratégia de Defesa dos EUA: O governo Trump publicou um documento que, ao mesmo tempo que fala em cooperação, deixa a porta aberta para o uso de ação militar no Hemisfério Ocidental para defender seus interesses, citando a operação na Venezuela como um precedente.
  • Conversa entre Lula e Trump: Os presidentes do Brasil e dos EUA conversaram por telefone sobre a situação na Venezuela. Lula, que já condenou publicamente a intervenção militar americana no país vizinho, ressaltou a importância da paz na região.

Panorama econômico: Focus e mercados globais

No front doméstico, o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda, trouxe revisões nas projeções dos economistas para a economia brasileira:

  • Inflação (IPCA) 2026: Projeção reduzida de 4,02% para 4,00%.
  • Taxa Selic: Expectativa de queda para 12,25% ao final de 2026.
  • Crescimento do PIB 2026: Previsão mantida em 1,8%.
  • Dólar no fim de 2026: Projetado em R$ 5,51.

Nos mercados internacionais, o dia foi de desempenho misto:

  • Wall Street: Encerrou em alta, com o Dow Jones subindo 0,64%.
  • Europa: A maioria dos índices fechou no positivo, com destaque para o setor financeiro.
  • Ásia: Bolsas encerraram praticamente estáveis, com movimentos setoriais opostos.

Os investidores seguem atentos aos desdobramentos da Superquarta e ao tom das relações internacionais, que continuam a ditar o ritmo dos negócios no curto prazo.