Após um 2025 turbulento, marcado pelos anúncios de tarifas de importação do presidente americano Donald Trump, o dólar enfrenta um novo período de forte desvalorização. Na terça-feira (27/1/2026), a moeda norte-americana caiu para seu ponto mais baixo em quatro anos em relação a uma cesta de outras divisas, registrando também quedas significativas frente ao euro e à libra esterlina.
Analistas do mercado financeiro preveem que a recuperação observada nos dias seguintes deve ser temporária, com expectativa de que o dólar continue a se enfraquecer ao longo do ano. “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano”, afirma Chris Turner, do grupo ING.
O que está por trás da queda do dólar?
A desvalorização é vista, em parte, como uma reação do mercado às políticas do governo Trump, caracterizadas por volatilidade e tensões geopolíticas, como as recentes disputas com a Europa sobre a Groenlândia. Robin Brooks, do Instituto Brookings, avalia que o declínio “é basicamente um reflexo dos mercados, dizendo que estas idas e vindas caóticas prejudicam os Estados Unidos”.
Além das incertezas políticas, outros fatores contribuem para a pressão sobre a moeda:
- Aumento das oportunidades de investimento no exterior.
- Movimentações no mercado de títulos japonês, que levaram traders a reavaliar apostas entre o iene e o dólar.
- Especulações sobre uma possível intervenção coordenada EUA-Japão para fortalecer o iene.
Consequências e impactos
Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos consumidores americanos no exterior e tem o potencial de aumentar a inflação interna nos EUA, devido ao encarecimento dos produtos importados. A queda também reacende debates sobre o status do dólar como a principal moeda de reserva global.
Enquanto isso, os investidores têm buscado refúgio em ativos como o ouro, cuja cotação dobrou no ano passado. Há também sinais de que fundos estão começando a fluir para outras moedas, como o euro e a libra, e para alguns mercados emergentes.
Qual a posição de Trump e o que esperar?
A Casa Branca já sinalizou que vê vantagens em um dólar mais fraco, que pode tornar as exportações americanas mais competitivas. “Você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte”, declarou Trump em julho de 2025.
O futuro da moeda, no entanto, está intimamente ligado à política monetária do Federal Reserve. A recente indicação de Kevin Warsh para presidir o banco central, substituindo Jerome Powell, sugere uma tendência de pressão por cortes mais agressivos nas taxas de juros. Se concretizados, esses cortes podem deprimir ainda mais o valor do dólar, à medida que investidores buscam retornos mais altos em outros países.
Embora uma desvalorização moderada possa beneficiar a economia americana, especialistas alertam que se a queda for motivada principalmente por uma perda de confiança nas políticas econômicas, os ganhos podem ser limitados e os riscos, maiores.