O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) está a investigar se a Netflix adotou práticas anticompetitivas ao avançar com a sua proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery, que inclui os seus estúdios e o serviço de streaming HBO Max.
De acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, que teve acesso a uma intimação civil, as autoridades antitruste estão a examinar de que forma a gigante do streaming concorre no mercado e se a fusão com a Warner poderia consolidar um poder de mercado excessivo, potencialmente configurando um monopólio.
A investigação, que decorre em paralelo à análise padrão da proposta de fusão, procura compreender o impacto da operação na concorrência. A intimação enviada a outra empresa do setor solicita informações sobre “qualquer outra conduta exclusiva por parte da Netflix que razoavelmente pareça capaz de consolidar poder de mercado ou monopólio”.
Em janeiro, a Netflix alterou os termos da sua oferta, passando a propor um pagamento integral de US$ 82,7 mil milhões em dinheiro (cerca de R$ 445,7 mil milhões), sem alterar o valor total. A nova estrutura, que oferece US$ 27,75 por ação da Warner, foi aprovada pelo conselho da controladora da HBO e visa dificultar a entrada de concorrentes, como a Paramount, no negócio.
Steven Sunshine, advogado da Netflix, comentou ao Wall Street Journal que a empresa acredita que o DOJ está a realizar uma “revisão padrão” da proposta e afirmou não ter recebido qualquer aviso de uma investigação separada por monopolização.
David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, descreveu o acordo como a “união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”. A conclusão da operação está sujeita a aprovações regulatórias, ao aval dos acionistas e a outras condições habituais, com uma expectativa de finalização entre seis a nove meses.