Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no caso Jeffrey Epstein indicam que o bilionário, acusado de tráfico sexual de menores, possuía um Cadastro de Pessoa Física (CPF) brasileiro ativo e com situação regular.

A informação consta em uma lista de arquivos liberados pela Justiça americana, dentro de uma pasta intitulada “Arquivos diversos” referente a Epstein. O registro foi emitido pela Receita Federal em 2003 e ainda estava válido, contendo a data de nascimento do bilionário: 20 de janeiro de 1953.

De acordo com a Receita Federal, a legislação brasileira permite que estrangeiros sem residência no país solicitem a inscrição no CPF, seja pessoalmente ou através de um procurador legalmente autorizado. Em caso de falecimento do titular estrangeiro, como é o caso de Epstein, medidas sobre o cadastro só podem ser solicitadas por inventariante, cônjuge, companheiro, sucessor legal ou beneficiários de pensão, dependendo da existência de bens a inventariar no Brasil.

Os documentos também revelam que Epstein discutiu a possibilidade de obter cidadania brasileira. Em troca de e-mails de outubro de 2011 com a empresária alemã Nicole Junkermann – cujo nome aparece em diversos arquivos do caso –, o bilionário considerou a ideia, mas expressou preocupação sobre possíveis problemas com vistos para viagens a outros países.

Jeffrey Epstein foi acusado de explorar sexualmente mais de 250 meninas menores de idade entre 2002 e 2005. Preso em julho de 2019, ele foi encontrado morto na cela em agosto do mesmo ano, em um caso classificado como suicídio. Seu testamento, assinado dois dias antes da morte, deixou um patrimônio estimado em mais de US$ 577 milhões.