A dívida pública federal registrou um aumento de 18% em 2025, atingindo R$ 8,635 trilhões. Este crescimento representa a maior alta anual desde 2015 e superou o avanço de 17,9% observado em 2020, ano mais crítico da pandemia de Covid-19.
O estoque da dívida, que estava em R$ 7,316 trilhões em dezembro de 2024, saltou mais de R$ 1,3 trilhão no último ano. Segundo o Tesouro Nacional, o crescimento foi “impulsionado principalmente pela apropriação de juros, refletindo, em grande medida, o patamar da taxa de juros da economia”.
A dívida pública federal corresponde às obrigações contraídas pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo, ou seja, cobrir despesas que superam a arrecadação de impostos e contribuições. Seu aumento ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, sendo financiado por credores como pessoas físicas, empresas e bancos que adquirem títulos da dívida.
Quase metade (50%) da dívida está indexada à taxa básica de juros (Selic), que atingiu patamares elevados no ano passado. Outros 26% estão vinculados ao Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), acompanhando a inflação. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, destacou que não são os gastos primários do governo (excluindo juros) os responsáveis pelo impulso. “Não é o quadro primário que está impulsionando a dívida”, afirmou.
Para 2026, o Plano Anual de Financiamento do Tesouro estabelece um limite máximo para a dívida de R$ 10,3 trilhões e um mínimo de R$ 9,7 trilhões, o que representa uma possibilidade de crescimento de até aproximadamente 19% no período.