A eventual transferência do inquérito do Caso Master do Supremo Tribunal Federal (STF) para a Justiça Federal representa um momento crítico: pode ser um mero capítulo transitório ou o sepultamento definitivo da investigação contra figuras de alto escalão.
Nos bastidores de Brasília, avalia-se que a Polícia Federal ainda tem um vasto material para analisar, especialmente os dados de telefones apreendidos. A ausência atual de autoridades com foro privilegiado (que as manteriam no STF) pode mudar em breve. “O fato é que, até agora, não há nada que justifique a manutenção do inquérito no STF. Mas isso pode mudar muito em breve… porque nomes de políticos devem surgir pela frente”, comenta um experiente político.
Esse entendimento é compartilhado por quem acompanha o caso. “Acho que não tem autoridade com foro privilegiado por enquanto, mas acho que deveria ter”, afirma um magistrado sob reserva. O grande temor entre investigadores é que, uma vez na Justiça Federal, nomes de políticos ligados ao dono do banco liquidado, Daniel Vorcaro, nunca mais venham à tona, o que seria ideal para aqueles que receiam envolvimento.
A Polícia Federal, no entanto, garante a continuidade das investigações independentemente do fórum. “As investigações vão continuar. O que tiver de aparecer, seja contra quem for, será investigado”, assegura um interlocutor próximo ao caso.
Dentro do próprio STF, a devolução do caso é vista por muitos ministros, inclusive aliados do relator Dias Toffoli, como a solução para retirar o tribunal do centro da crise. Um ministro aliado defende que este é o “caminho natural”, embora apoie as medidas já tomadas por Toffoli. Outro admite que, apesar de defensáveis, as ações do relator foram polêmicas e que a melhor saída é realmente enviar o caso para a primeira instância. Um terceiro magistrado é mais crítico: avalia que Toffoli erra ao demorar essa decisão, pois a crise só tende a se agravar. A expectativa é que a medida possa ser tomada após o retorno do recesso do Judiciário, em fevereiro.
O desfecho desta etapa definirá se a investigação sobre as fraudes no Banco Master seguirá em busca dos chamados “peixes graúdos” ou se encontrará um ponto final prematuro.