A taxa de desemprego no Brasil registou 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor mantém-se estável face ao trimestre anterior (encerrado em outubro de 2025) e representa uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, quando se situava nos 6,5%.
Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, salientou que esta é a taxa mais baixa da série histórica para trimestres terminados em janeiro. Apesar da estabilidade estatística imediata, a especialista aponta para uma tendência de descida do indicador, notando que a habitual subida da desocupação no primeiro trimestre ainda pode refletir-se nos próximos resultados.
Principais Dados do Mercado de Trabalho (Nov/2025 – Jan/2026)
- Taxa de desocupação: 5,4%
- População desocupada: 5,9 milhões (estável no trimestre; -17,1% em um ano)
- População ocupada: 102,7 milhões (estável no trimestre; +1,7% em um ano)
- Nível de ocupação: 58,7%
- Taxa de informalidade: 37,5% (38,5 milhões de trabalhadores)
- Rendimento real habitual: R$ 3.652 (+2,8% no trimestre; +5,4% em um ano)
- Massa de rendimento real: R$ 370,3 mil milhões (+2,9% no trimestre; +7,3% em um ano)
Análise por Categorias de Emprego
O mercado formal e informal apresentou os seguintes números:
- Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões (estável no trimestre; +2,1% em um ano).
- Empregados sem carteira: 13,4 milhões (estável).
- Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões (estável no trimestre; +3,7% em um ano).
- Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões (estável no trimestre; -4,5% em um ano).
Dinâmica Setorial e Perspectivas
Na comparação trimestral, destacaram-se crescimentos nos setores de Informação, comunicação e atividades financeiras (+2,8%) e Outros serviços (+3,5%), enquanto a Indústria geral recuou 2,3%. Em base anual, os maiores avanços foram na Administração pública, educação e saúde (+6,2%) e novamente no setor de informação e comunicação (+4,4%).
Analistas interpretam os dados como um sinal de resiliência do mercado de trabalho, com desemprego em mínimos históricos, crescimento da renda e alto grau de formalização. No entanto, este cenário robusto pode exercer pressão sobre a inflação, levando a expectativas de que o Banco Central mantenha uma postura cautelosa no ciclo de cortes de juros. Projeções indicam uma possível subida marginal da taxa de desemprego nos próximos meses, padrão comum no início do ano, com uma média anual estimada em torno de 5,2% para 2026.