O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou nesta segunda-feira (2) um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar as fraudes financeiras bilionárias do Banco Master. O requerimento conta com 201 assinaturas de parlamentares.

Se criada, a CPI terá como objetivo apurar possíveis irregularidades nas operações financeiras do banco controlado por Daniel Vorcaro. Além disso, a comissão investigará as negociações para a compra, pelo Banco de Brasília (BRB), de carteiras de crédito vendidas pela instituição financeira.

O banco estatal, controlado pelo Governo do Distrito Federal, desembolsou R$ 12 bilhões para adquirir carteiras de crédito que, segundo as investigações, não pertenciam ao Master e não possuíam garantias reais. O prejuízo estimado para o BRB pode alcançar a cifra de R$ 5 bilhões.

O caminho para a criação da CPI

Para que a CPI seja efetivamente instalada, o pedido de abertura protocolado por Rollemberg precisa ser lido no plenário da Câmara pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O requerimento entrará em uma fila que atualmente conta com outras 15 solicitações de CPIs.

Conforme o regimento interno da Câmara, há um limite operacional: apenas cinco CPIs originadas de requerimentos podem funcionar simultaneamente. A criação de uma nova depende, portanto, do encerramento de uma das comissões em atividade.

As fraudes com CDBs e a operação com o BRB

De acordo com apurações da Polícia Federal e do Banco Central, o Banco Master emitiu aproximadamente R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Esses títulos eram oferecidos com promessa de juros superiores às taxas de mercado, sem que o banco comprovasse ter liquidez para honrá-los no vencimento.

Para criar uma aparência de solidez, o Master aplicou parte desses recursos na compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno – uma operação que, na prática, não envolveu pagamento. Imediatamente após essa “aquisição”, o banco revendeu os mesmos créditos ao BRB, que pagou R$ 12,2 bilhões, sem a devida documentação, em uma operação caracterizada como “socorro” ao caixa do Master.

Essas transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava concretizar a compra do Banco Master, buscando convencer os órgãos reguladores da viabilidade da operação e da ausência de riscos para seus acionistas, incluindo o governo distrital.

Contexto político e desfecho

Rodrigo Rollemberg, ex-governador do Distrito Federal, atua na oposição ao atual chefe do Executivo local, Ibaneis Rocha (MDB). A crise do Master foi marcada por tentativas fracassadas de venda do banco, incluindo a proposta do BRB, todas canceladas em meio a questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a identificação de um alto custo de captação e uma exposição excessiva a investimentos de alto risco, com juros muito acima do padrão praticado no mercado financeiro.