Um pedido de prisão urgente para quatro suspeitos de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos foi inicialmente negado pelo plantão judiciário, resultando na fuga dos acusados antes da execução dos mandados, segundo relato do delegado responsável.

O crime ocorreu em 31 de janeiro, em um apartamento no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. A vítima, que sofreu violência sexual, física e psicológica, prestou depoimento no mesmo dia, apresentando lesões compatíveis com sua narrativa, incluindo suspeita de fratura em uma costela.

A Polícia Civil concluiu a investigação e solicitou as prisões e mandados de busca e apreensão ao plantão judiciário em 6 de fevereiro. No entanto, o juiz de plantão entendeu que o caso não era de urgência e redistribuiu o processo.

“A gente contava muito com essa ordem judicial que a gente pediu no plantão exatamente para ter esse elemento surpresa a nosso favor”, afirmou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana). “Se nesse momento tivéssemos conseguido essas ordens judiciais, acredito que a gente conseguiria não só tê-los prendido, mas também ter obtido mais provas através dos celulares”.

O processo passou por duas varas até chegar à especializada em crimes contra crianças e adolescentes, onde as prisões foram decretadas apenas na sexta-feira, 27 de fevereiro – cerca de três semanas após o pedido inicial.

Quando as ordens judiciais foram expedidas, os suspeitos já não estavam mais em seus endereços conhecidos. Dois deles se entregaram posteriormente, enquanto outros dois continuam foragidos. Há ainda um adolescente envolvido, cujo caso é analisado pela Vara da Infância e da Juventude.

O delegado destacou que a apreensão dos celulares dos suspeitos é considerada crucial para a investigação, pois poderia conter provas como gravações do crime e mensagens trocadas entre os envolvidos antes e depois do episódio.

Lages também enfatizou a clareza do depoimento da vítima: “Ela foi muito clara ao afirmar que não teria qualquer tipo de contato com as outras pessoas. Isso é importante porque, sim, configura o crime de estupro, e há muita gente tentando desqualificar a própria vítima”.