A demora na concretização de um encontro presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder norte-americano Donald Trump, inicialmente previsto para meados de março, reduziu o espaço de diálogo direto entre os dois mandatários, de acordo com avaliações de diplomatas.

Na análise de integrantes do Itamaraty, o distanciamento fez a “química esfriar” e abriu caminho para que a ala ideológica do governo dos Estados Unidos recuperasse influência.

Lula planeja uma visita oficial à Casa Branca para se reunir com Trump. A ideia original era que o encontro em Washington ocorresse em março, mas a viagem permanece sem data definida.

Funcionários do governo Trump afirmam, sob reserva, que nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil — que chegou a solicitar uma visita a Jair Bolsonaro — estão conseguindo emplacar suas pautas dentro da administração americana.

Diante do fracasso da política de tarifas, essa ala passou a investir com mais intensidade no tema da segurança pública.

No governo brasileiro, a avaliação é de que é necessário reagir. Integrantes do Planalto afirmam estar incomodados com a narrativa, que ganha força nas redes sociais, de que o governo brasileiro defenderia facções criminosas como o PCC e o CV.

Em caráter reservado, diplomatas mencionam o receio de que os Estados Unidos utilizem o combate ao narcotráfico e a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região. A principal preocupação é a tentativa norte-americana de interferir em assuntos de soberania nacional.

A área de comunicação prepara uma mobilização nas redes sociais — novamente com o mote da soberania — para explicar de forma didática como esse debate pode afetar a soberania do Brasil.

Trump e Lula mantiveram um encontro bilateral na Malásia, em outubro. O Brasil aguarda a redução das tarifas de importação sobre seus produtos.