A corrida pela formação das chapas presidenciais para 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, com movimentações estratégicas tanto na oposição quanto no governo. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, manifestou publicamente sua preferência por uma candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, enquanto no campo governista, o PSB faz pressão para que o presidente Lula mantenha Geraldo Alckmin no posto.

Em entrevista à GloboNews, Valdemar Costa Neto defendeu que uma mulher compusesse a chapa com Flávio Bolsonaro, citando especificamente a senadora Tereza Cristina (PP) como sua escolha ideal. “Minha opção seria por uma mulher, acho que as mulheres cresceram muito. A Tereza Cristina é o máximo. É quem eu queria que fosse vice do Bolsonaro na outra eleição”, afirmou o presidente do PL, argumentando que uma vice mulher poderia ajudar a atrair mais o eleitorado feminino. No entanto, ressaltou que a decisão final caberá a Flávio e a Jair Bolsonaro.

Valdemar também fez um comparativo entre os dois bolsonaros, destacando o perfil de Flávio: “O Flávio é mais paciente, conversa mais. Nós tivemos dificuldade no passado para conversar com o Bolsonaro. Tinha assunto que ele não queria conversar, como o caso do vice”. A cúpula do PP, partido de Tereza Cristina, considera a discussão prematura e avalia que uma definição só deve ocorrer em junho, após analisar a competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro.

O futuro de Alckmin na chapa de Lula

No campo governista, a permanência de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula é tema de debate interno. Enquanto setores do governo avaliam a possibilidade de trocar Alckmin por um nome de um partido mais ao centro, como o MDB, para ampliar a base de apoio e o tempo de TV, o PSB resiste fortemente à ideia.

O presidente do PSB, João Campos, já se reuniu com Lula para defender a manutenção de Alckmin. Aliados do ex-governador argumentam que ele já cumpriu seu papel de pacificação política em São Paulo e que não faria sentido colocá-lo em uma disputa estadual difícil contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O grupo de Alckmin questiona se vale a pena para Lula trocar um vice considerado competente e leal por uma eventual cadeira no Senado ou por um apoio partidário incerto.

O MDB, por sua vez, apresenta divisões internas significativas, com mais da metade de seus diretórios estaduais se opondo a um apoio a Lula, incluindo o de São Paulo. Lula demonstra preocupação com a eleição em São Paulo e busca um candidato forte ao governo do estado para fortalecer sua campanha nacional. Outros nomes cotados para a disputa em São Paulo são Fernando Haddad, que também resiste à ideia, e Simone Tebet, que deve migrar para o PSB e está mais inclinada a concorrer ao Senado.