O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (26) que o déficit em transações correntes do Brasil atingiu US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior rombo anual desde 2014. O resultado representa uma piora em relação ao déficit de US$ 66,2 bilhões registrado em 2024.
O saldo em transações correntes, principal indicador das contas externas, é composto pela balança comercial (troca de produtos), conta de serviços (como viagens e transportes) e conta de renda primária (remessas de lucros e dividendos).
Em 2025, a deterioração foi impulsionada principalmente pelo desempenho da balança comercial, que apresentou superávit de US$ 59,9 bilhões – valor inferior ao superávit de US$ 65,9 bilhões de 2024. A conta de serviços registrou déficit de US$ 52,9 bilhões, enquanto a conta de renda primária teve saldo negativo de US$ 81,3 bilhões.
O Banco Central explica que o aumento do déficit está relacionado ao crescimento econômico, que eleva a demanda por importações de bens e serviços. Historicamente, períodos de expansão da atividade doméstica tendem a pressionar as contas externas.
Paralelamente, os investimentos estrangeiros diretos (IED) no país avançaram, atingindo US$ 77,6 bilhões em 2025, ante US$ 74,1 bilhões no ano anterior. Esse fluxo de capital ajuda a financiar o déficit em transações correntes.
Para 2026, o BC projeta um alívio no rombo externo, com déficit estimado em US$ 60 bilhões. A expectativa é de melhora no saldo comercial, com expansão das exportações – especialmente de petróleo – e estabilidade nas importações, além de redução moderada nos déficits de serviços e renda. Os investimentos estrangeiros diretos, por sua vez, devem recuar para US$ 70 bilhões.