A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a Corte exija da Polícia Federal (PF) a apresentação completa das informações que embasaram a prisão preventiva decretada contra seu cliente. Os advogados argumentam que a prisão, cumprida na última quarta-feira (4), ocorreu sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos probatórios.
No requerimento, a equipe jurídica solicita especificamente:
- As datas exatas das mensagens atribuídas a Vorcaro e citadas na investigação;
- Comprovação da existência do suposto grupo de mensagens intitulado “A Turma” e se o banqueiro realmente integrava esse grupo;
- As datas das alegadas invasões a sistemas de órgãos públicos e remoções de conteúdo em plataformas digitais;
- Os documentos e datas que comprovariam os pagamentos mencionados na representação policial;
- A identificação do documento, número da conta e evidências que sustentariam a alegação de bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma suposta conta atribuída ao pai do empresário.
A prisão de Vorcaro ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que também prendeu seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes (conhecido como “Sicário”) e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A operação investiga crimes de lavagem de dinheiro, fraude processual e obstrução de justiça.
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro do STF André Mendonça afirmou que Daniel Vorcaro chefiava uma espécie de milícia privada dedicada a monitorar autoridades e perseguir jornalistas. Esta foi a primeira decisão de Mendonça como relator do caso no Supremo, função que assumiu em fevereiro após a saída do ministro Dias Toffoli.
As investigações desta fase foram deflagradas com base em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido em novembro de 2025. Segundo os investigadores, as conversas indicariam que o grupo também teria se infiltrado no Banco Central, com dois servidores de alto escalão – Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana – supostamente recebendo propina para repassar informações privilegiadas a Vorcaro.
O nome “Compliance Zero” faz referência à suposta ausência de controles internos nas instituições envolvidas para prevenir crimes de gestão fraudulenta, lavagem de capitais e manipulação de mercado.