A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) compareceu nesta terça-feira (20) a uma nova audiência na Corte de Apelação de Roma, onde juízes devem se pronunciar sobre o pedido de extradição da brasileira para o Brasil. Durante a sessão, sua defesa solicitou formalmente a troca dos magistrados responsáveis pelo caso.
O tribunal deve estabelecer um prazo para aceitar ou rejeitar a contestação. Devido ao pedido, não há possibilidade de que a decisão final sobre a extradição seja proferida nesta terça-feira. A audiência havia sido adiada por três vezes anteriormente, por motivos que incluíram uma greve de advogados e a apresentação de novos documentos pela defesa.
Zambelli, que tem cidadania italiana, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a decisão, ela deixou o Brasil e foi presa na Itália em julho, onde aguarda o desfecho do processo de extradição. A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento, por entender que há risco de fuga.
Um dos principais argumentos da defesa contra a extradição é a alegação de que Zambelli sofreria perseguição política e judicial no Brasil. Os advogados também contestaram as condições do sistema carcerário brasileiro. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes enviou um documento detalhado com informações e imagens sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), local onde ela ficaria detida, destacando a ausência de rebeliões e a existência de assistência médica e cursos técnicos.
A defesa também alegou problemas de saúde da ex-deputada, mas uma perícia médica determinada pela Justiça italiana concluiu que as enfermidades são compatíveis com o regime carcerário e que os tratamentos necessários podem ser realizados dentro da prisão.
O Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição. O processo ainda pode passar por recursos na Corte de Cassação, e a palavra final caberá ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.