A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele seja transferido da sede da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpre pena, e internado em um hospital particular da capital nesta quarta-feira (24). O objetivo é realizar uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral na quinta-feira (25).
O requerimento, apresentado na terça-feira (23), solicita que Bolsonaro seja conduzido ao hospital DF Star para a realização de exames pré-operatórios. A equipe médica do ex-presidente já havia indicado o procedimento, diagnóstico confirmado posteriormente por uma perícia da Polícia Federal.
Após o pedido da defesa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem um prazo de 24 horas para se manifestar. A decisão final sobre a autorização da transferência caberá ao ministro do STF e relator do caso, Alexandre de Moraes, que já havia concedido uma autorização prévia para a realização da cirurgia.
Laudo da PF confirma necessidade da cirurgia
O Instituto Nacional de Criminalística da PF concluiu, após perícia, que Bolsonaro sofre de hérnia inguinal bilateral – uma condição em que tecidos abdominais se projetam por pontos fracos na parede muscular da virilha em ambos os lados. O laudo classificou a cirurgia como eletiva, ou seja, não urgente, mas recomendou que fosse feita “o mais breve possível” para evitar um agravamento do quadro.
Os peritos apontaram uma “piora progressiva” da hérnia, provavelmente causada pelo “aumento da pressão intra-abdominal decorrente dos soluços e da tosse crônica” do ex-presidente.
Contexto da prisão e histórico de saúde
Jair Bolsonaro está detido na Superintendência da PF desde 22 de novembro, após violar as regras da tornozeleira eletrônica que usava. Ele confessou ter tentado abrir o dispositivo com um ferro de solda. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena de mais de 27 anos de reclusão no regime fechado, negando um pedido de prisão domiciliar.
O ex-presidente, de 70 anos, tem um histórico extenso de problemas de saúde, agravados após o atentado a faca que sofreu em 2018. Nos últimos anos, passou por múltiplas internações e cirurgias, incluindo procedimentos para obstruções intestinais, correção de hérnias, tratamento de refluxo e, mais recentemente, uma cirurgia de 12 horas para liberar aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal.
Em 2024, foi internado por erisipela (infecção de pele) e, em 2025, tratou uma pneumonia viral e realizou exames para retirada de lesões de pele.