Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (10) revela um agravamento na percepção dos brasileiros sobre a economia. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, enquanto 24% acreditam que melhorou e 28% afirmam que “ficou como estava”.
Os números representam uma deterioração em relação a dezembro de 2025, quando 41% avaliavam piora e 29% viam melhora. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre 3 e 5 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Expectativas para o futuro
A visão sobre o futuro também se tornou mais cautelosa. Atualmente, 35% dos brasileiros acreditam que a economia vai piorar nos próximos meses, um aumento significativo em relação aos 21% de dezembro. A expectativa de melhora, que havia saltado para 46% em dezembro, recuou para 30%.
O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (33%) do que entre aqueles que ganham mais de dez salários (11%). Regionalmente, 36% dos nordestinos acreditam na melhora, contra 25% dos sudestinos.
Divisão política e religiosa
A pesquisa revela um abismo na percepção conforme a intenção de voto:
- Eleitores de Flávio Bolsonaro (PL): 77% acham que a economia piorou; apenas 14% preveem melhora.
- Eleitores de Lula (PT): 51% preveem melhora; 14% acham que a economia piorou.
Na divisão religiosa, a percepção negativa é de 57% entre evangélicos e 41% entre católicos. A expectativa de melhora é de 33% entre católicos e 23% entre evangélicos.
Situação financeira pessoal
Os brasileiros também estão mais pessimistas sobre suas próprias finanças. O percentual que avalia que sua situação econômica pessoal piorou subiu de 26% em dezembro para 33% agora. Aqueles que sentiram melhora caíram de 36% para 30%.
Quanto ao futuro pessoal, o otimismo recuou: 51% esperam melhora (contra 60% em dezembro), enquanto o pessimismo subiu de 10% para 14%.
Preocupação com desemprego e inflação
O temor com o mercado de trabalho aumentou: 48% acreditam que o desemprego vai subir (ante 42% em junho de 2025). Esse receio é maior entre brasileiros de alta renda (59%) e entre evangélicos (57%).
Quanto à inflação, 61% projetam alta nos preços, mantendo a estabilidade pessimista dos últimos 12 meses. Apenas 11% acreditam na queda da inflação. Sobre o poder de compra, 39% preveem que vai cair, enquanto 32% acreditam em aumento.
Impacto da reforma do IR
A reforma do Imposto de Renda ainda não gerou um impacto claro na percepção. Mesmo entre os grupos beneficiados pelas novas regras, o sentimento de melhora não destoa do restante da população. Na faixa de dois a cinco salários mínimos (que inclui os novos isentos), 32% afirmaram melhora, índice próximo aos 28% entre quem já não pagava o imposto.