O setor de viagens enfrenta sua pior crise desde a pandemia, com ações despencando e perdas acumuladas que ultrapassam US$ 22,6 bilhões. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã desencadeou uma reação em cadeia que afeta viajantes e empresas em todo o mundo.

Os principais hubs aéreos do Oriente Médio, como Dubai e Doha, permanecem fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. A Jordânia é o mais recente país a fechar parcialmente seu espaço aéreo, agravando ainda mais a situação.

Dados da empresa de análise Cirium revelam que mais de 4 mil voos foram cancelados globalmente nos últimos três dias, sendo 1,5 mil apenas nesta segunda-feira. A interrupção massiva está sendo descrita por especialistas como um “cenário de pesadelo” para a logística das companhias aéreas.

O impacto financeiro é severo. Um grupo de 29 grandes empresas do setor, incluindo companhias aéreas, redes hoteleiras e agências de viagens, perdeu coletamente R$ 117,5 bilhões em valor de mercado. As ações da TUI, maior empresa de viagens da Europa, caíram 9,6%, enquanto Lufthansa recuou 5,7% e a IAG (controladora da British Airways) perdeu 5,4%.

As companhias aéreas americanas também foram fortemente atingidas na abertura dos mercados, com American Airlines e United Airlines registrando quedas superiores a 6%. Na Ásia, empresas como ANA Holdings, Air China e Cathay Pacific tiveram perdas significativas e cancelaram rotas para a região.

Além dos cancelamentos, o setor enfrenta a pressão dos preços do petróleo, que saltaram 13% para o nível mais alto desde janeiro de 2025. Este aumento eleva drasticamente os custos de combustível, pressionando ainda mais as margens já apertadas das empresas.

Analistas apontam que as companhias aéreas com maior exposição às rotas do Oriente Médio são as mais vulneráveis. A Wizz Air, com forte presença em Israel, viu suas ações caírem 7%, enquanto as companhias aéreas indianas enfrentam desafios logísticos adicionais devido à proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão.

No meio do caos, passageiros relatam situações desesperadoras. “Não temos nenhuma informação, nenhuma resposta no telefone”, queixou-se uma passageira italiana que teve seu voo cancelado. Outros descrevem cenas de “caos” nos aeroportos, com centenas de pessoas buscando informações sobre voos alternativos.

Embora alguns aeroportos comecem a retomar operações limitadas – como o Ben Gurion em Israel e aeroportos nos Emirados Árabes Unidos com “voos especiais” – a normalização completa do tráfego aéreo na região ainda parece distante.

A crise chega em um momento particularmente delicado para o setor, que já enfrentava pressão devido à redução da demanda por viagens mais caras por parte de consumidores preocupados com os custos. A Norwegian Cruise Line Holdings já previu lucros abaixo do esperado para 2026, sinalizando que os efeitos desta crise podem se prolongar.