Apesar de ser o maior produtor mundial de café, o Brasil enfrenta um paradoxo vergonhoso dentro de suas próprias fronteiras: a qualidade da bebida servida na hotelaria voltada para o turista estrangeiro permanece, em grande parte, sofrível. Enquanto o setor hoteleiro nacional evolui em outros aspectos, o tratamento dado ao café – um verdadeiro símbolo nacional – muitas vezes desmerece essa riqueza cultural e econômica.

O cenário é comum: cafés amargos, requentados ou preparados sem qualquer critério, servidos como mera formalidade no café da manhã. Essa realidade contrasta brutalmente com a sofisticação e a diversidade que a cadeia produtiva do café brasileiro oferece, desde os grãos especiais até as modernas técnicas de preparo.

Esta negligência representa mais do que um simples deslize gastronômico. É uma oportunidade perdida de valorização cultural e uma falha na experiência oferecida ao visitante. O turista que chega ao país esperando degustar um café de excelência, condizente com a fama brasileira, frequentemente se depara com um produto aquém do potencial.

Reverter este quadro exige uma mudança de mentalidade por parte dos estabelecimentos hoteleiros. Investir em grãos de melhor qualidade, capacitar equipes para o preparo correto e apresentar o café como uma experiência genuína são passos essenciais. Tratar o café com a importância que ele merece não é apenas um aprimoramento do serviço, mas um ato de respeito a um dos pilares da identidade nacional.