A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga descontos indevidos no INSS recebeu apenas uma fração mínima dos documentos relativos à quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Master. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que dos mais de 400 GB de dados enviados à Polícia Federal a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), a CPMI teve acesso a apenas 1 GB, o equivalente a 0,25% do total.

“A CPMI recebeu apenas 0,25%, vou repetir para os senhores, nós recebemos menos de 1% […] Foram enviados mais de 400GB de documentos e a comissão recebeu apenas 1GB, o que é um absurdo”, declarou Viana.

O caso envolve uma disputa judicial sobre o acesso aos dados. Em dezembro, o então ministro-relator do caso no STF, Dias Toffoli, determinou que o Senado recolhesse os dados de quebra de sigilo aprovados pela CPMI. A decisão foi revista em fevereiro pelo novo relator, ministro André Mendonça, que ordenou à Polícia Federal que recolhesse os dados antes de disponibilizá-los novamente à comissão.

Após esse processo, um volume inicial de aproximadamente 450 GB de documentos, principalmente do sigilo telemático do celular de Vorcaro na Apple, retornou à CPMI drasticamente reduzido: apenas 313 MB em 206 arquivos.

A PF informou que, por determinação do ministro Mendonça, disponibilizou “parte dos dados da quebra de sigilo de dados telemáticos”. Mendonça também determinou que as quebras de sigilo feitas pela PF no âmbito da investigação no STF fossem repassadas, mas esses documentos ainda não chegaram à comissão.

Há divergência entre parlamentares sobre quem é responsável pelo “filtro” aplicado aos documentos. Enquanto alguns atribuem a ação à PF, outros apontam o ministro-relator. O presidente Viana afirmou que, após conversa com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, soube que os documentos passariam por um filtro, mas ressaltou que a decisão judicial não autorizava tal triagem.

Os documentos já obtidos revelam trocas de mensagens entre Vorcaro e sua então companheira, Martha Graeff, expondo conexões do banqueiro com integrantes dos Três Poderes. Em uma mensagem, Vorcaro comemora uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que aumentaria o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em outra, menciona um encontro marcado com “alexandre moraes”, em referência ao ministro do STF.