A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu os extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como ‘Lulinha’, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os documentos apontam que, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, foram realizadas 1.531 transações, totalizando uma movimentação financeira de R$ 19,5 milhões.

Os valores englobam entradas, saídas e transferências entre contas do próprio investigado. A defesa de Lulinha emitiu nota afirmando que todas as fontes de renda são legais e legítimas, incluindo recursos de empresas das quais é sócio e valores recebidos por herança, e negou qualquer envolvimento do cliente com as fraudes no INSS, objeto da comissão.

Detalhamento das Movimentações

O montante foi distribuído ao longo dos anos da seguinte forma:

  • 2022: R$ 4,66 milhões
  • 2023: R$ 4,01 milhões
  • 2024: R$ 7,27 milhões
  • 2025: R$ 3,37 milhões
  • 2026: R$ 205,4 mil

No período analisado, foram registrados R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos.

Principais Entradas

Conforme a quebra de sigilo, as principais origens dos recursos que ingressaram na conta foram:

  • Resgates de fundos de investimento: R$ 4,4 milhões.
  • Transferências de outras contas próprias: R$ 735,7 mil.
  • Repasses do presidente Lula: Três transferências totalizando R$ 721 mil, realizadas em julho de 2022 e dezembro de 2023.
  • Repasses de empresas: Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, repassaram R$ 3,2 milhões. Os valores vieram da LLF Tech Participações (R$ 2.375.000,00), G4 Entretenimento (R$ 827.457,51) e LLF Participações, extinta em 2010 (R$ 52.057,68).
  • Outros: Cerca de R$ 1,2 milhão em produtos bancários como consórcios, previdência e seguros.

Os extratos também mostram um depósito de cheque de R$ 157,7 mil, assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, diretor do Instituto Lula, realizado no mesmo dia de uma das transferências do pai.

Principais Saídas

Do total movimentado, a maior parte das saídas (R$ 4,6 milhões) correspondeu a transferências para outras contas do próprio Lulinha. Outros destinos relevantes foram:

  • Jonas Leite Suassuna Filho (ex-sócio): 17 transações somando R$ 704 mil entre 2022 e 2025.
  • Kalil Bittar (ex-sócio): 15 transações totalizando R$ 750 mil entre 2024 e 2025.
  • Depósitos em cartão pré-pago: Oito operações, somando R$ 11.600, entre novembro de 2023 e janeiro de 2024.

Contexto da Investigação e Reação da Defesa

A CPMI do INSS foi instalada para apurar fraudes em benefícios previdenciários e irregularidades administrativas. O nome de Lulinha passou a ser mencionado no inquérito após a Polícia Federal apreender mensagens que faziam referências a ele, trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha.

Em nota extensa, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva criticou veementemente o vazamento dos dados sigilosos, classificando-o como “crime grave”, e questionou a legitimidade da investigação, uma vez que as informações divulgadas não apontariam qualquer ligação com as fraudes do INSS. A defesa afirmou que os recursos são fruto de atividade empresarial legítima, aplicações financeiras e herança, todos devidamente declarados ao fisco.

A nota também esclareceu transações específicas: as transferências do presidente Lula seriam adiantamento de herança, reembolso de custos ou empréstimos; os repasses a Jonas Suassuna corresponderiam a pagamentos de aluguel; e os valores enviados a Kalil Bittar seriam pagamento por cotas da empresa G4 após seu afastamento da sociedade.

A defesa ainda argumentou que a simples soma das movimentações bancárias ao longo de anos é um dado “irrelevante”, pois um mesmo valor pode ser contabilizado múltiplas vezes em diferentes operações (como aplicação e resgate), não refletindo o patrimônio líquido efetivo.