O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou o adiamento da oitiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A sessão da comissão para ouvir o banqueiro foi remarcada para o dia 19 de fevereiro, daqui a duas semanas.

A decisão foi tomada após pedido da defesa e o compromisso de não entrar com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar o comparecimento ou invocar o direito ao silêncio. Segundo a defesa, Vorcaro não poderia comparecer por motivos de saúde.

No lugar de Vorcaro, que prestaria depoimento nesta quinta-feira (5), a CPMI do INSS deve ouvir o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, para discutir a atuação do órgão em relação aos créditos consignados.

Nesta terça-feira (3), Viana se reuniu com o ministro do STF, Dias Toffoli, responsável pelo inquérito sobre o Banco Master. De acordo com o presidente da comissão, o ministro concordou com a liberação de Vorcaro para depor perante a CPMI e se comprometeu a repassar parte do inquérito à comissão.

Viana reiterou que, apesar do escândalo envolvendo o Banco Master, o foco da CPMI são questões relativas aos contratos de empréstimos consignados da instituição. O senador afirmou que 250 mil contratos do banco foram suspensos pelo INSS devido à “falta de comprovação da documentação”.

“Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização”, disse Viana. A comissão também questionará o banqueiro sobre as medidas tomadas para devolver o dinheiro aos clientes prejudicados.

Dados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviados à CPMI mostram que o Banco Master é a 21ª instituição financeira com mais reclamações relacionadas a crédito consignado entre 2019 e 2025, totalizando 5.665 registros. Em 2025, com 2.472 reclamações, o banco ficou à frente de grandes instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BRB.

O INSS já cobrou por três vezes, mas ainda não recebeu do Banco Master os documentos que comprovem “a existência jurídica e a validade do consentimento” de aposentados e pensionistas relativos a mais de 250 mil empréstimos consignados. Em 26 de novembro de 2025, o instituto bloqueou cerca de R$ 2 bilhões, interrompendo os repasses ao Master até o fim da investigação.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que “o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.