O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou um requerimento no Senado Federal para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O pedido, apresentado na noite desta segunda-feira (9), já conta com 35 assinaturas de senadores, superando o mínimo de 27 necessárias para sua instalação. Entre os signatários estão 11 parlamentares do PL, incluindo Flávio Bolsonaro, e seis do PP.
“Dois ministros do Supremo Tribunal Federal encontram-se no centro de um dos maiores escândalos financeiros e institucionais da história republicana do Brasil. […] Não se trata de revisão de decisões judiciais. Trata-se, pura e simplesmente, da afirmação de que os mais altos cargos da República impõem os mais altos padrões de conduta”, justificou Vieira em seu requerimento.
Objetivo da CPI
Diferente de outros pedidos de investigação contra ministros do STF, o foco desta CPI seria exclusivamente apurar a natureza das relações pessoais, financeiras ou de outra ordem entre os magistrados e o banqueiro, seus sócios e empresas do conglomerado.
“A pergunta que esta CPI se propõe a responder […] é se os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes mantiveram […] relações pessoais, financeiras ou de outra natureza que sejam incompatíveis com o exercício imparcial e probo da função pública”, afirmou o senador.
Caso Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli está no centro da polêmica devido à empresa Maridt, da qual é sócio e que é administrada por seus irmãos. A empresa recebeu milhões de um fundo de investimento ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. A Maridt foi sócia do Resort Tayayá em sociedade com o fundo ligado à família de Vorcaro até fevereiro de 2025. Após a revelação dessas relações, Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master no STF.
Caso Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes está envolvido na questão por meio de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, vigente entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Além disso, reportagens revelaram trocas de mensagens entre o banqueiro e o ministro horas antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Moraes nega que as mensagens tenham sido dirigidas a ele.
“O que está em jogo é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal como instituição”, concluiu o senador Vieira sobre a gravidade dos fatos.