A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ouviu nesta terça-feira (3) o depoimento de João Carlos Falbo Mansur, fundador do grupo Reag. A presença de Mansur foi obrigatória, por convocação.

A Reag está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro, incluindo a Operação Carbono Oculto, que apura esquema ligado ao setor de combustíveis com participação do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, fundos administrados pela empresa teriam sido usados para movimentações atípicas.

As suspeitas levaram o Banco Central, em janeiro deste ano, a decretar a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, braço que fazia a gestão dos fundos da Reag Investimentos.

Depoimento de Campos Neto é facultativo

Por outro lado, o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tornou-se facultativo após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que transformou, na segunda-feira (2), a convocação em convite.

Essa alteração retira a obrigatoriedade de comparecimento e garante o direito ao silêncio caso a pessoa decida comparecer. A diferença entre convocação e convite está na obrigatoriedade. O convite é uma solicitação voluntária, enquanto a convocação tem caráter coercitivo, podendo resultar em condução forçada em caso de ausência injustificada.

O requerimento para a convocação de Campos Neto é de autoria do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O senador justificou que Campos Neto deve prestar esclarecimentos sobre sua gestão à frente do BC diante de indícios de possíveis falhas nos mecanismos de supervisão e controle do sistema financeiro, revelados pelas operações Carbono Oculto e Compliance Zero.

Investigações envolvendo a Reag

Em setembro de 2025, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado. A suspeita é que fundos de investimentos administrados pela Reag foram utilizados para lavar dinheiro do PCC oriundo de fraudes no setor de combustíveis.

À época, a Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, parte deles geridos pela Reag, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões e controlados pela facção. Em meio aos avanços das investigações, João Carlos Mansur, então presidente do conselho de administração, formalizou sua saída da holding, vendendo o controle da Reag Investimentos.

Envolvimento com o Banco Master

Em janeiro deste ano, a Reag se viu envolvida na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras do Banco Master. Mansur também foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da operação.

A suspeita da PF é que a Reag teria atuado ao lado do Master para estruturar e gerir fundos de investimentos para operações consideradas atípicas, como a movimentação de dinheiro para inflar resultados e esconder riscos. Na operação, o presidente do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ficar preso por 11 dias e o banco foi liquidado pelo Banco Central.