A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master enfrenta uma série de obstáculos no Congresso Nacional, apesar dos requerimentos já protocolados com assinaturas suficientes. A decisão final depende dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Fila de CPIs na Câmara dos Deputados
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou o pedido com 200 assinaturas, superando o mínimo de 171. No entanto, o presidente Hugo Motta afirmou que o processo entrará na fila cronológica de pedidos, onde há pelo menos 15 requerimentos à frente. Motta citou o regimento interno que limita a cinco CPIs em funcionamento simultâneo, mas a decisão do STF em 2021 estabelece que, cumpridos os requisitos constitucionais (assinaturas, fato determinado e prazo), a CPI deve ser instalada.
Comissão Mista (CPMI) aguarda Alcolumbre
Paralelamente, um requerimento para uma CPMI (mista) conta com 278 assinaturas (236 deputados e 42 senadores), números que também superam os mínimos exigidos. Sua instalação, porém, depende da leitura do pedido pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, em sessão conjunta – passo que não tem previsão para ocorrer. Líderes próximos a ele duvidam que haja vontade política para instalar qualquer CPI sobre o caso.
Subcomissão no Senado como alternativa
Enquanto as CPIs não avançam, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado criou uma subcomissão para acompanhar as investigações. Presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), ela atuará de forma complementar, mas não terá os mesmos poderes de uma CPI, como quebra de sigilos. Seu foco será solicitar informações sigilosas aos órgãos e trabalhar no aprimoramento da legislação.
Contexto do Caso Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, um dia após o dono, Daniel Vorcaro, ser alvo de operação da Polícia Federal. O banco é suspeito de fraudes massivas na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas, além de operar com alto risco. O caso também envolve outras instituições, como o BRB e o Rioprevidência.
Em um ano eleitoral, a resistência de parte do Congresso e a agenda dos presidentes das Casas mantêm a investigação parlamentar em um impasse, com expectativa de definição apenas após o período do Carnaval.