No primeiro leilão de imóveis realizado como parte do plano de reestruturação para arrecadar fundos e sair da crise, os Correios conseguiram vender apenas 3 das 12 unidades oferecidas. A operação, realizada na quinta-feira (12), gerou um caixa de R$ 9,1 milhões para a estatal, valor aquém do potencial inicial.
A venda de imóveis é uma das medidas centrais do plano de socorro apresentado no fim do ano passado. A empresa pretende arrecadar R$ 1,5 bilhão com uma série de leilões virtuais, abertos a pessoas físicas e empresas. No entanto, o primeiro resultado revela desafios: se todos os 12 imóveis tivessem sido vendidos pelo valor mínimo, a arrecadação seria de mais de R$ 14,5 milhões.
As unidades vendidas estão localizadas em Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Caturaí (GO). O imóvel mais caro foi o de Belo Horizonte, um prédio comercial de 3 mil metros quadrados cujo lance mínimo era de R$ 8,3 milhões.
Economistas já haviam alertado que os valores estavam superestimados, considerando o estado de algumas unidades, que apresentam sinais de vandalismo e depredação. Em nota, os Correios afirmaram que os imóveis não vendidos “serão novamente disponibilizados nos próximos leilões, em continuidade à estratégia de racionalização e otimização do patrimônio da empresa”.
Novos leilões já estão agendados. No dia 26 de fevereiro, 9 imóveis serão ofertados, com valor mínimo total de R$ 28,2 milhões. Outros seis leilões estão previstos para março e abril (dias 5, 12, 19, 26 de março e 2 e 9 de abril), datas que marcam o prazo final para lances. Após o encerramento, as propostas serão analisadas e os vencedores declarados.
A crise nos Correios é profunda. Em 2022, o prejuízo foi de R$ 700 milhões. Em 2024, o rombo saltou para R$ 2,5 bilhões, e de janeiro a setembro do ano passado, as perdas atingiram R$ 6 bilhões. Projeções internas da Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI) indicam um resultado negativo de R$ 5,8 bilhões para 2025 e uma previsão ainda mais sombria para 2026, com prejuízos estimados em R$ 9,1 bilhões. O sucesso dos leilões de imóveis é, portanto, crucial para a tentativa de recuperação financeira da empresa.