Um levantamento interno dos Correios revela que nenhuma das unidades estaduais da empresa alcançou a meta de entregas dentro do prazo estabelecida para o período até setembro de 2025. A estatal registrou um índice de 90,18%, ficando abaixo da meta de 95,54%.

Os dados, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que a unidade de Roraima teve o pior desempenho, com apenas 64,84% das entregas realizadas no prazo, um resultado 30 pontos percentuais abaixo da meta estimada para o estado (94,84%). A Região Norte concentra seis dos sete piores índices de entrega do país.

Apesar do resultado abaixo do esperado, os Correios afirmam que o desempenho representa uma ligeira melhora de 0,71 ponto percentual em comparação com o mesmo período de 2024.

A empresa atribui os atrasos a um “cenário de backlog” e a lacunas no processo de tratamento de carga nos principais centros das Superintendências Estaduais. Entre os motivos apontados estão a falta de mão de obra contratada por Execução Indireta de Serviços (EIS) e a necessidade de ajustes no processo produtivo.

Medidas para reduzir atrasos

Para tentar reverter a situação, os Correios informaram que adotaram as seguintes medidas:

  • Reestruturação do fluxo de caixa, priorizando pagamentos a fornecedores logísticos;
  • Negociação de parcelamentos com fornecedores para retomada dos serviços;
  • Contratação emergencial de operadores logísticos regionais;
  • Implementação de matriz de criticidade, priorizando encomendas urgentes e clientes estratégicos;
  • Otimização da malha de transporte (superfície nacional/regional e aérea);
  • Contratação de viagens extras nas rotas de Linha de Transporte Nacional e da Rede Postal Noturna.

Crise financeira e atrasos nos pagamentos

A crise de desempenho ocorre em meio a uma grave crise financeira. Em 2025, a estatal deixou de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações, incluindo:

  • INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão;
  • Fornecedores: R$ 732 milhões;
  • Postal Saúde (plano de saúde dos funcionários): R$ 545 milhões;
  • Tributos PIS/COFINS: R$ 457 milhões;
  • Programa Remessa Conforme: R$ 346 milhões;
  • Postalis (fundo de pensão): R$ 135 milhões.

Até julho, transportadoras cobravam na Justiça R$ 104 milhões em faturas atrasadas dos Correios, em 58 processos envolvendo 41 empresas. Parte dessas empresas chegou a paralisar serviços em abril devido à inadimplência.

Cobrança do Congresso

Diante do cenário, o deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) protocolou requerimentos para que o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) fiscalizem os Correios. Os pedidos questionam a regularidade do modelo de atuação de empresas intermediárias e possíveis contratações sem licitação.

A empresa, que recentemente teve um empréstimo de R$ 12 bilhões aprovado pelo Tesouro Nacional com garantias da União, admite enfrentar um “ciclo vicioso de prejuízos” com perda de clientes e receitas.