O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os Correios precisam de uma reestruturação através de parcerias com empresas públicas e privadas para se manterem no mercado. A Caixa Econômica Federal demonstrou interesse em desenvolver negócios em conjunto com a estatal, o que poderia incluir a oferta de serviços financeiros, como seguros e previdência, nas agências dos Correios.

Haddad confirmou ainda que o Tesouro Nacional deve definir nesta sexta-feira (19) a concessão de um aval para um empréstimo bancário de R$ 12 bilhões aos Correios, que enfrentam uma grave crise financeira. O Tesouro condicionou a garantia a empréstimos com juros não superiores a 120% do CDI.

Os prejuízos da empresa são crescentes: de R$ 633 milhões em 2023, passaram para R$ 2,6 bilhões em 2024. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o déficit já chega a R$ 6 bilhões, com projeção de fechar o ano em R$ 10 bilhões negativos. O ministro declarou que só recebeu a “radiografia correta” da situação com a nova diretoria.

Haddad destacou que, mesmo em países desenvolvidos e liberais, os serviços postais costumam ser estatais para garantir a universalização do serviço, uma vez que empresas privadas tendem a focar nos segmentos mais rentáveis. Ele afirmou que a “capilaridade” dos Correios, sua forte presença em municípios de todo o país, atrai o interesse de empresas como a Caixa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que não haverá privatização dos Correios durante seu mandato, mas abriu a possibilidade para parcerias e um modelo de economia mista, semelhante ao da Petrobras, onde o governo mantém o controle acionário. Lula atribuiu parte da crise a uma “gestão equivocada” e anunciou mudanças na liderança da empresa para reverter o quadro.

O governo discute um plano de socorro que pode envolver aporte direto de recursos ou empréstimos com garantia do Tesouro, visando estabilizar a empresa considerada estratégica para o país.