Em meio a uma crise financeira prolongada, os Correios apresentaram um modesto crescimento nas receitas de seus principais serviços no terceiro trimestre de 2025. Apesar de 12 trimestres consecutivos de prejuízos, a empresa registrou R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens, o maior valor desde 2022.

No entanto, o panorama geral permanece crítico. Em novembro, a estatal anunciou um prejuízo de R$ 6 bilhões no 3º trimestre de 2025, quase o triplo dos R$ 2,1 bilhões perdidos no mesmo período de 2024. A receita total da empresa sofreu uma forte redução, impulsionada principalmente pela perda do monopólio na distribuição de encomendas internacionais após a criação do programa “Remessa Conforme”.

Impacto do “Remessa Conforme” e perda de mercado

O programa do Ministério da Fazenda, que passou a taxar importações de até US$ 50 e permitiu que outras transportadoras realizassem a entrega final no Brasil, teve um impacto severo. As receitas dos Correios com postagens internacionais, que já representavam mais de 20% do total, despencaram de quase R$ 3 bilhões em 2024 para R$ 1,1 bilhão em 2025.

Consequentemente, a participação da empresa no mercado de encomendas caiu drasticamente: de 51% em 2019 para apenas 22% em 2025, segundo levantamento apresentado pela própria estatal.

Plano de reestruturação e busca por recursos

Para tentar reverter a situação, a direção dos Correios anunciou um ambicioso plano de reestruturação. As medidas incluem:

  • Corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal através de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), visando reduzir 15 mil funcionários em dois anos.
  • Venda de imóveis não operacionais no valor de R$ 1,5 bilhão.
  • Fechamento de mil agências consideradas deficitárias.
  • Reformulação do plano de saúde para economizar R$ 500 milhões anuais.

Além das medidas de contenção, a empresa busca captar mais R$ 8 bilhões em 2026, que podem vir do Tesouro Nacional ou de novos empréstimos. Recentemente, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos para quitar dívidas, valor inferior aos R$ 20 bilhões inicialmente planejados devido às taxas de juros consideradas elevadas.

Perspectivas futuras

O plano tem como meta recuperar as contas até 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027. A expectativa é elevar a receita total para R$ 21 bilhões em 2027, contra R$ 18,9 bilhões em 2024. Para modernizar a operação, a empresa pretende investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, destinados à automação, renovação da frota e modernização da infraestrutura tecnológica.

O presidente Emmanoel Rondon admitiu que o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser viável, especialmente porque o monopólio de cartas em áreas rentáveis não é mais suficiente para financiar o serviço postal universal em locais remotos e deficitários.

Fonte: G1