O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, em sua primeira reunião de 2026, manter a taxa básica de juros da economia inalterada em 15% ao ano. Este é o maior patamar registrado em quase 20 anos, confirmando a expectativa do mercado financeiro para a quinta manutenção consecutiva da Selic.
A decisão, anunciada após as 18h desta quarta-feira (28), reflete a postura cautelosa do BC diante do cenário econômico. A taxa Selic é o principal instrumento da autoridade monetária para conter as pressões inflacionárias, que impactam diretamente, e de forma mais severa, a população de menor renda.
Meta de inflação e atuação do BC
O Banco Central opera com base no sistema de metas de inflação. Desde o início de 2025, vigora a meta contínua de 3%, considerada cumprida se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. A instituição define a taxa de juros olhando para as projeções futuras de inflação, e não para os dados passados, pois o impacto pleno de uma mudança na Selic na economia leva de 6 a 18 meses para se materializar. Atualmente, o BC já mira nas projeções para o terceiro trimestre de 2027.
Economia acima do potencial e visão dos analistas
Na ata da reunião de dezembro, o BC informou que o “hiato do produto” segue positivo, indicando que a economia continua operando acima de seu potencial de crescimento sem gerar pressões inflacionárias adicionais. Uma desaceleração do ritmo de crescimento é parte da estratégia para conter a inflação, especialmente no setor de serviços.
Analistas reforçam a expectativa de manutenção. “O comitê tem atuado de uma forma muito técnica… a manutenção vem em linha com os dados de atividade econômica divulgados na semana passada, do índice de atividade econômica vindo acima do esperado”, afirmou Sérgio Samuel dos Santos, do Sistema Ailos.
Gustavo Sung, da Suno Research, também prevê a estabilidade dos juros. “Apesar da melhora gradual do quadro inflacionário, entendemos que o Comitê deve privilegiar uma condução prudente, assegurando que o início do ciclo de cortes ocorra em um ambiente mais consolidado”, declarou. A projeção do mercado é de que o primeiro corte da Selic para 14,5% ao ano ocorra somente em março.