O Banco Central (BC) confirmou, por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que iniciará um ciclo de redução da taxa básica de juros em sua próxima reunião, marcada para março. A decisão foi baseada em um “amplo conjunto de informações”, incluindo a dinâmica recente da inflação e sinais mais claros de transmissão da política monetária.

No entanto, a autoridade monetária não deu qualquer indicação sobre a magnitude ou a duração total deste ciclo de flexibilização. O BC reforçou que manterá a política monetária em “níveis restritivos” até que se consolide não apenas a queda da inflação, mas também a ancoragem das expectativas do mercado à meta.

“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, informou o BC na ata.

O mercado financeiro projeta que a Selic, atualmente em 15% ao ano, recue para 14,5% em março. As expectativas apontam para uma taxa de 12,25% ao ano ao final de 2026.

Inflação e o horizonte da política monetária

O BC opera com base no sistema de metas de inflação, mirando sempre no futuro. Atualmente, a instituição já avalia as projeções para o terceiro trimestre de 2027. Isso ocorre porque os efeitos de uma mudança na taxa de juros levam de seis a 18 meses para serem sentidos plenamente na economia.

Com o início do sistema de meta contínua em 2025, o objetivo foi fixado em 3%, com uma banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%. As projeções mais recentes do mercado para a inflação em 2026, 2027, 2028 e 2029, no entanto, permanecem acima da meta central de 3%.

Desaceleração econômica como parte da estratégia

O BC reafirmou que uma moderação no ritmo de crescimento da economia é um elemento essencial para o reequilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, para a convergência da inflação à meta. A ata indica que a atividade econômica doméstica manteve uma trajetória de moderação no crescimento, conforme antecipado pela autoridade monetária.

“O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, destacou o Copom.

Alertas sobre o cenário externo e políticas domésticas

O Comitê também expressou cautela com o ambiente externo, considerado incerto devido à conjuntura e políticas econômicas nos Estados Unidos, que afetam as condições financeiras globais.

Internamente, o BC alertou que um “esmorecimento” nas reformas estruturais e na disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a chamada taxa de juros neutra da economia. O Copom reiterou a necessidade de políticas “previsíveis, críveis e anticíclicas”, enfatizando a harmonia entre as políticas fiscal e monetária.