As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (27). O resultado, que abrange governo federal, estados, municípios e empresas estatais, representa uma pequena piora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo foi de R$ 104,1 bilhões.

O alto superávit no início do ano é uma tradição, ligada à concentração da arrecadação federal no primeiro mês de cada exercício. No entanto, o resultado das empresas estatais federais apresentou forte deterioração, registrando um rombo de R$ 3,33 bilhões – o pior da série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2001.

Desempenho por setor em janeiro de 2026

  • Governo federal: superávit de R$ 87,3 bilhões
  • Estados e municípios: superávit de R$ 21,3 bilhões
  • Empresas estatais federais: déficit de R$ 4,9 bilhões

Resultado nominal e dívida pública

Quando se incorporam os juros da dívida pública (resultado nominal), houve superávit de R$ 40,1 bilhões em janeiro. Contudo, no acumulado em 12 meses até janeiro, persiste um déficit de R$ 1,09 trilhão, equivalente a 8,5% do PIB.

Apesar do superávit primário, a dívida do setor público consolidado permaneceu estável em 78,7% do PIB (R$ 10,1 trilhões). Este é o maior nível desde novembro de 2025. Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), que considera títulos públicos na carteira do BC, o endividamento brasileiro atingiu 92,7% do PIB em janeiro.

Crise nas estatais federais

O rombo de R$ 3,33 bilhões das estatais federais em janeiro representa 0,33% do PIB, o maior percentual desde maio de 2009. O BC não detalha o resultado por empresa, mas o desempenho negativo ocorre em meio a uma forte crise nos Correios, que recentemente obteve autorização para captar mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantia da União.

A série do BC exclui Petrobras, Eletrobras e empresas do setor financeiro, considerando apenas estatais como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro e Dataprev.