O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou nesta terça-feira (3) que o conflito no Oriente Médio pode afetar a cadeia de produção de medicamentos e levar ao aumento de preços no Brasil. A declaração foi feita durante visita a uma fábrica de medicamentos em Valinhos (SP), acompanhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades.
Segundo Padilha, o Brasil depende de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) importados, principalmente da Índia, que utilizam rotas aéreas que passam pelo Oriente Médio. Eventuais mudanças ou interrupções nessas rotas logísticas podem impactar os custos e a disponibilidade dos produtos.
“Vários produtos que são produzidos mesmo aqui no Brasil, os princípios ativos vêm, por exemplo, da Índia, que pode ter circulação afetada. Você tem uma parte que a cadeia logística vem para os aeroportos do Oriente Médio. Então, você pode ter até a mudança de rota, isso pode impactar nos custos. Toda guerra faz mal à saúde. Essa guerra pode fazer mal à saúde global, não só do Brasil”, afirmou o ministro.
Tanto Padilha quanto o presidente Lula reforçaram a importância de fortalecer a produção nacional de medicamentos para garantir autonomia frente a instabilidades geopolíticas internacionais.
Visita à fábrica Bionovis e defesa da vida
A comitiva presidencial visitou a fábrica da Bionovis, empresa responsável pelo desenvolvimento e produção de medicamentos biológicos de alta complexidade e fornecedora de mais de 19 milhões de frascos e seringas ao SUS.
Em seu discurso, o presidente Lula contrastou a violência do conflito no Oriente Médio com o trabalho de salvar vidas através da saúde pública:
“Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra. Se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte. Está falando de drone, está falando de mísseis, está falando de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vidas. Isto aqui é um drone de remédio para o povo brasileiro. Isto aqui é o nosso míssil [exibindo medicamento de alto custo] Não o míssil para matar, o míssil para salvar”, disse Lula.
A empresa, fundada em 2012 a partir de um consórcio de laboratórios nacionais, conta com 12 parcerias internacionais e com laboratórios públicos.
Monitoramento constante e cenário eleitoral
O Ministério da Saúde afirmou que está monitorando de perto a situação para mitigar possíveis impactos no abastecimento. Paralelamente, durante a coletiva, o ministro Padilha também comentou sobre o cenário eleitoral em São Paulo, destacando nomes como o do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como peças-chave para a disputa.
As autoridades se reuniram posteriormente em São Paulo para avançar nas discussões sobre a composição das candidaturas estaduais e nacionais para as próximas eleições.