A escalada do conflito militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, iniciado no fim de semana passado, tem o potencial de causar o maior choque no mercado de petróleo em anos, segundo análise da revista britânica The Economist. Os ataques coordenados e a retórica agressiva já provocaram volatilidade extrema nos preços da commodity.
Após o presidente americano Donald Trump ordenar o bombardeio de instalações nucleares iranianas, o petróleo Brent, referência internacional, chegou a superar os US$ 82 por barril, uma alta de 13% em relação aos níveis anteriores ao conflito. Embora tenha fechado próximo a US$ 80, esta ainda representa a maior cotação em quatro anos, com analistas alertando para a possibilidade de uma escalada ainda maior.
A revista destaca que, embora Trump tenha uma preferência por iniciar ações militares durante fins de semana – quando os mercados de petróleo estão fechados –, a estratégia não foi suficiente para conter o pânico desta vez. A tensão já era palpável mesmo antes dos ataques, com o barril fechando a semana anterior em US$ 72, valor mais alto desde julho do ano passado.
O cenário atual contrasta com as previsões do início do ano, que apontavam para um mercado abundante em petróleo. No entanto, sanções mais rigorosas e o aumento das tensões no Golfo já haviam elevado os preços em cerca de 20% em 2026 antes mesmo deste conflito direto.
O Estrangulamento do Estreito de Ormuz: O Maior Risco
O principal temor dos mercados reside na possibilidade de um bloqueio ou grave perturbação no Estreito de Ormuz, passagem crucial por onde transita aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente. A The Economist avalia que esse cenário poderia empurrar os preços para a marca de US$ 100 por barril.
O Irã já demonstrou intenção de dificultar a navegação na região. Relatos indicam que:
- Satélites têm interferido nos sinais de navegação, aumentando o risco de colisões.
- Seguradoras estão cobrando prêmios exorbitantes ou cancelando apólices para navios que tentam a travessia.
- Um número reduzido de petroleiros conseguiu passar desde o início dos ataques, criando um congestionamento de embarcações aguardando em ambos os lados do estreito.
- Cerca de dez dias de carregamentos de petróleo estão agora retidos no Golfo, pressionando as já elevadas taxas de frete para cima.
A retórica de Trump, que prometeu “bombardeio pesado e preciso… ininterrupto”, combinada com a séria retaliação iraniana – que incluiu lançamento de mísseis contra Israel, vizinhos árabes e bases americanas –, só alimenta a incerteza. A percepção é de que o envolvimento de países da região pode ser uma tentativa do Irã de forçar os EUA de volta à mesa de negociações.
Dois Futuros para o Petróleo
A longo prazo, o destino dos preços do petróleo está intimamente ligado ao desfecho político no Irã:
- Mudança de Regime (Cenário de Baixa Pressão): Se os EUA conseguirem depor os aiatolás, o Irã poderia deixar de ser uma fonte de instabilidade. A eventual queda de sanções ocidentais liberaria mais petróleo iraniano no mercado, aumentando a oferta global e possivelmente contendo os preços.
- Permanência dos Aiatolás (Cenário de Alta Pressão): Se o regime atual se mantiver, pode se sentir compelido a demonstrar força. Isso poderia resultar em tentativas mais agressivas de fechar o Estreito de Ormuz, na queda da produção e em sanções ainda mais duras, mantendo os preços em patamares elevados.
Respostas Limitadas e Incerteza Prolongada
Diante da pressão sobre os preços da gasolina – um fator político sensível, especialmente em ano eleitoral nos EUA –, as opções de Trump são limitadas. O uso da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA, estratégia adotada por Joe Biden em 2022, é uma possibilidade, mas sua eficácia é questionável.
Atualmente, a reserva está 155 milhões de barris abaixo do nível de 2022. Com uma taxa máxima de extração de 4,4 milhões de barris por dia, seus estoques durariam apenas três meses. A incerteza gerada pela guerra, no entanto, pode persistir por muito mais tempo.
A conclusão da The Economist é clara: os investidores e o mercado global de energia devem se preparar para um período prolongado de volatilidade e ansiedade, onde cada desenvolvimento no conflito terá um impacto direto e imediato no preço do barril de petróleo.