Duas fortes explosões atingiram Teerã na noite de domingo, fazendo prédios tremerem a quilômetros de distância. Os ataques, realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, marcam uma escalada do conflito que se intensificou após a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano.

A expectativa é que o conflito provoque uma alta imediata nos preços do petróleo quando o mercado reabrir. Analistas projetam que o barril pode saltar para a faixa de US$ 85 a US$ 90, partindo de US$ 72 na sexta-feira. Se a crise se prolongar, os efeitos podem alcançar a economia mundial de forma mais ampla.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país mobiliza “toda a força de seu Exército” na ação conjunta com os Estados Unidos, atacando “o coração de Teerã com intensidade crescente”. Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, declarou ter aceitado conversar com os novos líderes iranianos, mesmo após ataques de Teerã que mataram soldados americanos e civis israelenses.

A tensão geopolítica afeta diretamente o mercado de energia. O agravamento do conflito coloca em risco o tráfego no Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Embora a passagem não esteja oficialmente fechada, o custo dos seguros subiu e grandes empresas de navegação já suspenderam viagens pela área.

De acordo com a consultoria Rystad Energy, a redução no fornecimento pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia, diminuindo significativamente a oferta disponível no mercado internacional. O preço do gás natural também tende a subir, já que o Catar, um dos principais exportadores, pode ser afetado pela crise.

Analistas econômicos alertam para as consequências. Eric Dor, professor da IESEG School of Management, avalia que um período prolongado de preços elevados pode gerar um “efeito recessivo”, com impacto sobre combustíveis, energia, transporte marítimo e companhias aéreas. Enquanto empresas do setor de defesa podem se beneficiar nas bolsas, áreas como transporte, turismo e logística tendem a registrar perdas.

A última vez que o petróleo superou a barreira de US$ 100 foi no início da guerra na Ucrânia, episódio que contribuiu para a alta da inflação global. O atual conflito no Oriente Médio traz riscos semelhantes em um momento de fragilidade econômica mundial.