Ministro Dias Toffoli deixa relatoria do caso Banco Master após vínculos societários serem revelados
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou nesta quinta-feira (12) a relatoria do caso do Banco Master após deliberação dos demais ministros da Corte. A decisão ocorre após a confirmação de que Toffoli integra o quadro de sócios da Maridt Participações, empresa familiar dirigida por seus irmãos que realizou negócios com fundos ligados ao Banco Master.
O ponto central: o resort Tayayá
A relação entre a Maridt e o Banco Master tem como ponto-chave o resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A empresa da família Toffoli era uma das proprietárias do empreendimento até fevereiro de 2025, quando concluiu a venda de suas participações.
As transações envolveram:
- Venda de cotas ao Fundo Arleen em setembro de 2021 – fundo controlado pela Reag Investimentos, administradora ligada ao Banco Master
- Alienação do saldo remanescente à PHB Holding em fevereiro de 2025
Reag Investimentos: a gestora no centro das investigações
Fundada por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos chegou a administrar R$ 299 bilhões e foi a primeira gestora de patrimônio com ações na bolsa brasileira. Em janeiro, teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após ser investigada na Operação Compliance Zero.
O BC alegou que a Reag atuou na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
Menções em celular apreendido
A Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, apreendido na Operação Compliance Zero. O dispositivo continha menções a Dias Toffoli em conversas.
Em nota, o gabinete de Toffoli chamou as menções de “ilações” e afirmou não haver motivo para suspeição do ministro no caso.
Posicionamento de Toffoli
O ministro admitiu ser sócio da Maridt, mas afirmou que a administração da empresa é feita por parentes. Segundo sua defesa, essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, que veda apenas que magistrados exerçam atos de gestão.
Toffoli negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro e destacou que todas as declarações da empresa e de seus acionistas “sempre foram devidamente aprovadas” pela Receita Federal.
Contexto das investigações
O caso do Banco Master chegou ao STF em dezembro, quando surgiram suspeitas sobre a participação de pessoas com foro privilegiado. Toffoli foi sorteado para a relatoria e assumiu o caso, tornando-se responsável por determinar depoimentos e conduzir as investigações.
As apurações sobre a Reag não se limitam ao caso do Banco Master. A gestora também é investigada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro ligada ao PCC.